Produtora de “Dark Horse” registra contatos e relata pressão por delação
Karina Ferreira da Gama afirma, em declaração registrada em cartório, que três pessoas tentaram pressioná-la a fechar uma delação premiada. Ela não apresentou provas dos contatos, e Fernando Sarney nega ter se aproximado da empresária.

Divulgação
A empresária Karina Ferreira da Gama, alvo de uma operação da Polícia Federal no âmbito das investigações sobre o filme “Dark Horse”, afirmou ter sido procurada por três interlocutores que tentaram pressioná-la a realizar uma delação premiada. A versão foi registrada em cartório em 3 de setembro de 2026, uma semana antes da operação deflagrada em 10 de setembro. Segundo Karina, ela decidiu formalizar o relato após temer sofrer medidas judiciais ou restrições à liberdade caso recusasse colaborar com as autoridades.
Investigação sobre emendas parlamentares
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, para apurar o uso de emendas ao Orçamento que podem estar relacionado à produção da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A Polícia Federal considera o deputado Mario Frias (PL-SP) o “agente central” do esquema investigado. Karina, proprietária da GoUp Entertainment e presidente do Instituto Conhecer Brasil, também foi alvo dos mandados.
De acordo com a investigação, o instituto recebeu R$ 2 milhões por meio de emendas propostas por Frias. As autoridades, porém, ainda não afirmam que o dinheiro tenha sido usado diretamente no financiamento do filme. A apuração busca esclarecer a origem dos recursos, sua destinação e a eventual existência de irregularidades no processo.
Contatos relatados por Karina
Na declaração, Karina cita como primeiro interlocutor Fernando Sarney, filho do ex-presidente José Sarney. Ela afirma que foi procurada por ele em 20 de maio e que o empresário ofereceu apoio jurídico, mencionando suposta proximidade com Flávio Dino. Segundo Karina, Sarney também teria dito que poderia ajudá-la caso fosse necessária uma delação com informações contra o candidato Flávio Bolsonaro.
A empresária ressalta que a alegação de proximidade com o ministro partiu exclusivamente de Fernando Sarney. Ela afirma não ter presenciado nenhuma conversa entre os dois e não possuir elementos próprios para sustentar que Dino tivesse conhecimento, participação ou envolvimento no contato. Procurado, Fernando Sarney negou conhecer Karina e afirmou que nunca tratou com ela ou com terceiros sobre uma suposta delação relacionada à produção de “Dark Horse”.
O segundo contato teria ocorrido em 27 de agosto, em uma ligação com um pastor identificado como amigo de longa data, mas não nomeado no documento. Karina afirma que ele disse ter proximidade com integrantes do governo federal e ministros do STF. Pessoas próximas à empresária também relataram que o religioso sugeriu ter contato com a primeira-dama Janja Lula da Silva. Karina diz ter recusado a proposta, afirmando que sempre esteve disposta a cooperar integralmente com as autoridades.
Terceiro contato e ausência de provas
O terceiro interlocutor citado é um jornalista, que teria procurado Karina em 3 de setembro, data da assinatura da declaração. Ela afirma que ele a chamou de “bucha de canhão” para o candidato e deu a entender que poderia ser alvo de medidas judiciais se não firmasse uma colaboração premiada. O nome do jornalista não foi revelado no documento.
A declaração não apresenta áudios, mensagens, testemunhas ou outros elementos capazes de comprovar os contatos relatados. Por isso, as afirmações de Karina ainda dependem de verificação pelas autoridades e não estabelecem, por si só, qualquer envolvimento das pessoas mencionadas. O caso acompanha uma investigação sensível sobre recursos públicos, produção audiovisual e disputas políticas em torno do filme.
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