PF afirma que Vorcaro bancou viagens internacionais para servidores do BC
Relatórios da Polícia Federal ao STF indicam que o fundador do Banco Master teria custeado viagens a Paris e à Disney para dois servidores do Banco Central afastados da autarquia. As defesas negam irregularidades e apresentam versões distintas sobre os pagamentos.

Divulgação
A Polícia Federal (PF) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, teria custeado viagens internacionais e refeições para dois servidores do Banco Central (BC): Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza. Os gastos mencionados incluem uma ida de Belline a Paris, acompanhada da esposa, e uma viagem de Paulo Sérgio à Disney, nos Estados Unidos.
Servidores atuavam em área sob supervisão do Banco Central
Belline ocupava a chefia de Supervisão Bancária, enquanto Paulo Sérgio era diretor de Fiscalização. Segundo a PF, os dois mantinham contato frequente com Vorcaro e prestavam uma consultoria informal em favor do Banco Master, instituição financeira submetida à fiscalização do próprio BC. Ambos foram afastados da autarquia durante as investigações.
Em março de 2026, o ministro André Mendonça determinou o uso de tornozeleiras eletrônicas nos dois servidores. Em 10 de setembro, atendendo a um pedido do presidente da Corte, Edson Fachin, Mendonça autorizou a quebra parcial do sigilo dos documentos relacionados ao Banco Master. Com a decisão, novos detalhes sobre a relação entre as partes passaram a integrar os autos.
Viagem a Paris teria sido organizada com ajuda de Vorcaro
De acordo com o relatório policial, Vorcaro teria tratado diretamente com prestadores de serviços no exterior para organizar reservas, recepção e logística da viagem de Belline a Paris. A PF afirma que ele chegou a encaminhar o contato pessoal da servidora para que a programação fosse concluída, o que, segundo a investigação, indica seu envolvimento no custeio de parte das despesas.
O documento também registra que Vorcaro pediu a duas pessoas que organizassem um jantar no restaurante Lapérouse e um almoço no Loulou, ambos em Paris. Para os investigadores, a recomendação de que fossem solicitados bons vinhos e pratos de maior valor constitui um indício de que o fundador do Banco Master pretendia pagar os eventos.
Defesa de Paulo Sérgio nega pagamento das despesas
O relatório não aponta outros gastos financiados por Vorcaro nem informa o valor total das viagens e refeições. A defesa de Belline não apresentou resposta aos pedidos de manifestação. Os advogados de Paulo Sérgio, por sua vez, afirmam que ele custeou integralmente as passagens, a hospedagem, os ingressos, a compra de moeda estrangeira e os gastos com cartão de crédito durante a viagem com a família.
Segundo os advogados, a viagem já estava programada para as férias de 2024 antes do contato com Vorcaro. Eles reconhecem que o empresário ofereceu ao servidor uma vaga remanescente em um pacote de acesso prioritário aos parques da Disney e da Universal, mas sustentam que Paulo Sérgio pagou US$ 8 mil em dinheiro pela oportunidade. A defesa também afirma que ele desconhecia um repasse de US$ 38 mil feito por Vorcaro ao agente de viagens Leonardo Giunchetti.
Em depoimento prestado à PF no fim de agosto, Vorcaro negou ter pago propina a Belline ou a Paulo Sérgio. Ele admitiu ter enviado recursos a um projeto social ligado à servidora, mas afirmou que não recebeu qualquer contrapartida ilegal. As informações serão analisadas no âmbito das investigações conduzidas pela Polícia Federal e sob supervisão do STF.
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