Médico aciona entidades médicas após fala de Lula sobre exames ginecológicos
Victor Augustho solicitou posicionamento da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Febrasgo sobre declaração do presidente em ato de campanha.

Divulgação
O médico Victor Augustho Barbosa utilizou suas redes sociais para informar que notificou a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). A ação visa obter um posicionamento oficial das entidades a respeito de uma declaração feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante um ato de campanha em Belém, no Pará. A fala do presidente, que abordou a realização de exames ginecológicos e de próstata, gerou repercussão e motivou a iniciativa do profissional de saúde.
Declaração presidencial sobre exames e toque
Durante o evento em Belém, o presidente Lula criticou a relutância masculina em realizar o exame de próstata, contrastando com a suposta familiaridade das mulheres com o exame de toque desde cedo. Ele afirmou: “Nós, hoje, fizemos a 1ª operação robótica de próstata aqui no Estado do Pará e no norte do país. A 1ª operação robótica. E por que isso é importante? Porque o homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas. O homem não, ele é cheio de trejeitos. Ele não sabe que, quando ele tiver câncer de próstata, vão dar muito toque nele.”
Controvérsia sobre o exame em meninas
Em resposta à declaração, Victor Augustho publicou em sua conta na rede social X que “aprender a tomar toque desde pequena não é protocolo. Menina que é tocada desde pequena é vítima de abuso”. A postagem do médico alcançou um número expressivo de visualizações, indicando o interesse público no debate. O profissional de saúde detalhou que o exame preventivo do colo de útero, conhecido como Papanicolau, não é indicado para meninas, sendo recomendado a partir dos 25 anos e condicionado à atividade sexual prévia, exceto em situações clínicas específicas.
Diretrizes médicas e a importância do consentimento
As diretrizes do Ministério da Saúde corroboram a afirmação do médico quanto ao rastreamento do câncer de colo de útero, que deve ser oferecido a mulheres ou indivíduos com colo de útero entre 25 e 64 anos que já tenham iniciado atividade sexual. O documento também ressalta que pessoas sem histórico sexual não devem ser incluídas nesse rastreamento. A atualização das Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero, aprovada em 2025, prioriza o teste molecular de DNA-HPV oncogênico. O médico enfatizou ainda que, em casos onde a atividade sexual não foi iniciada, o exame ginecológico não inclui toque, e que qualquer procedimento invasivo, se estritamente necessário, requer indicação escrita, consentimento e termo de responsabilidade médica, sob pena de responsabilização do profissional.
Posicionamento das entidades médicas aguardado
O toque vaginal é um exame clínico cuja indicação é pautada na história da paciente, queixas e avaliação profissional, e não deve ser confundido com o rastreamento de câncer de colo de útero, que possui critérios etários e específicos. Documentos do Ministério da Saúde e pareceres de conselhos regionais de medicina reforçam a necessidade de não forçar exames em adolescentes, a recomendação de acompanhante e a importância do consentimento informado, seja do paciente ou de seus responsáveis legais. Até o fechamento desta matéria, nem a SBP nem a Febrasgo haviam respondido às solicitações de posicionamento sobre o caso.
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