Lula viaja a Nova York com comitiva de pelo menos 73 pessoas
Presidente participa da abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira e retorna ao Brasil no mesmo dia por causa das eleições. Janja e quatro ministros integram o grupo.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou no domingo (20) para Nova York, onde participa da abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A viagem será curta: Lula retorna ao Brasil nesta terça-feira (22), no mesmo dia do discurso, por causa das eleições. Registros oficiais de autorização registram ao menos 73 pessoas nominalmente previstas para o deslocamento, mas o total pode ser maior, pois dois atos incluem servidores sem informar a quantidade e novos nomes ainda podem ser acrescentados.
Ministros e primeira-dama integram o grupo
A comitiva reúne ministros, assessores e servidores de diferentes órgãos do governo federal. A primeira-dama Janja Lula da Silva também acompanhará a viagem. O Ministério das Relações Exteriores confirmou a presença de quatro ministros no grupo presidencial: Mauro Vieira, das Relações Exteriores; Esther Dweck, da Gestão; Luiz Eloy Terena, dos Povos Indígenas; e Rachel Barros, da Igualdade Racial.
Parte dos participantes terá como destino a Semana do Clima de Nova York, realizada paralelamente à programação da ONU. O evento concentra reuniões e atividades sobre mudanças climáticas na mesma semana da Assembleia Geral, tema que deve reforçar a presença brasileira nos debates internacionais.
Viagem terá agenda reduzida
Lula não levará, desta vez, os presidentes da Câmara e do Senado nem governadores. Hugo Motta, presidente da Câmara, e Davi Alcolumbre, presidente do Senado, ficaram fora do deslocamento. A redução também marca diferença em relação a viagens anteriores à ONU. Em 2025, a comitiva já havia sido menor por causa da tensão entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, mas incluía seis ministros e dois governadores.
Brasil abre debate geral da ONU
Por tradição, o Brasil abre o debate geral da Assembleia Geral desde 1955. Será a 11ª participação de Lula no evento como presidente. Donald Trump falará na sequência. A expectativa é que o brasileiro defenda a negociação como caminho para resolver disputas, o respeito ao direito internacional humanitário e a não interferência em assuntos internos de outros países.
Lula também deve cobrar a reforma da ONU, especialmente do Conselho de Segurança. A versão em elaboração não menciona Trump diretamente nem o Escudo das Américas, iniciativa de segurança dos Estados Unidos vista pelo Planalto como uma tentativa de ampliar a influência regional e afastar a China do hemisfério. Ainda assim, o discurso deve destacar a defesa da soberania e da democracia, o repúdio a interferências externas e a cooperação internacional contra o crime organizado.
Encontros marcam passagem por Nova York
Antes do discurso na ONU, Lula deve se reunir nesta segunda-feira (21) com Zohran Mamdani, prefeito eleito de Nova York. Na terça-feira, também está prevista uma conversa com António Guterres, secretário-geral da ONU, que se aproxima do fim do mandato e deixará o cargo em 31 de dezembro.
A agenda brasileira continuará após a saída do presidente. Na quarta-feira (23), o chanceler Mauro Vieira participa de uma reunião da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Na quinta-feira (24), preside um encontro ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, a Zopacas, mantendo o Brasil presente nos principais debates multilaterais da semana.
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