Lula usa discurso na ONU para defender o Pix e mirar eleição no Brasil
Ao abrir a 81ª Assembleia Geral da ONU, Lula combinou pautas internacionais com temas da campanha brasileira, como bets, Pix, escala 6 por 1, feminicídio e riscos de interferência externa na eleição.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou nesta terça-feira, 22 de setembro de 2026, na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em Nova York. Foi a décima vez que Lula abriu o encontro. Embora tenha tratado de temas globais, reservou parte da fala para assuntos diretamente ligados ao momento político do Brasil.
Eleição entra no fim do discurso
Faltando menos de duas semanas para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, Lula afirmou que os brasileiros decidirão entre a democracia e o negacionismo. O presidente disse que não permitirá a interferência de inimigos internos e externos na vontade popular. A declaração foi feita em um cenário de disputa acirrada: pesquisa PoderData/Aya apontou Lula com 37% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 36%, diferença dentro da margem de erro. Em outro levantamento, da AtlasIntel/Bloomberg, Flávio apareceu com 47,2% no segundo turno, contra 46,8% do petista.
Pressões externas e defesa do Pix
A referência à eleição ocorreu em meio à tensão entre Brasil e Estados Unidos. Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência classificou como crítico o risco de interferência americana no pleito de 2026. O documento citou sanções contra brasileiros ligados ao crime organizado e a política tarifária de Washington como elementos da escalada. Flávio Bolsonaro negou receber ajuda do governo dos Estados Unidos após a revelação de que uma minuta americana propunha a participação de dissidentes políticos nas eleições brasileiras.
Lula também rejeitou pressões de multinacionais que, segundo ele, querem privatizar o Pix. O presidente voltou a defender o sistema como infraestrutura pública e gratuita. A fala se somou às críticas à regulação das grandes empresas de tecnologia e da inteligência artificial, temas presentes em discursos anteriores do petista na ONU.
Bets, escala 6 por 1 e feminicídio
Na parte voltada à política interna, Lula voltou a atacar as bets. Disse que elas transformam o vício em lucro e afirmou que não tolerará esse modelo de negócio. O discurso antecede uma medida provisória que o governo prepara para endurecer as regras do setor, com possibilidade de proibir cassinos online, incluindo o chamado jogo do tigrinho.
O presidente também defendeu o fim da escala 6 por 1. Segundo Lula, a mudança é necessária para reduzir a sobrecarga doméstica das mulheres. A proposta foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, mas perdeu espaço no plenário após articulação da oposição. A votação ficou para depois do primeiro turno.
Lula ainda defendeu um país livre de feminicídios e retomou o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, lançado em fevereiro com a participação dos três Poderes. A pauta integra a agenda social que o governo busca destacar na reta final da campanha.
Segurança e soberania nacional
Sobre segurança pública, o presidente afirmou que o Brasil não precisa de porta-aviões vigiando suas águas. Em vez disso, defendeu cooperação internacional para interromper o fluxo de armas e dinheiro que abastece o crime organizado. A declaração foi uma resposta indireta a Donald Trump, que havia acusado o governo Lula de fracassar no combate ao PCC e ao Comando Vermelho.
Além dos temas nacionais, Lula criticou o uso de tarifas como instrumento de coerção, defendeu a reforma do Conselho de Segurança da ONU e voltou a classificar como genocídio a ofensiva israelense em Gaza. Também pediu solução diplomática para a guerra na Ucrânia e defendeu que cada povo decida seu próprio destino. O discurso combinou, assim, a defesa do multilateralismo com mensagens voltadas diretamente ao eleitor brasileiro.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








