Lula repete há 23 anos pedido de mudança no Conselho da ONU
Durante a 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, Lula voltou a defender a ampliação do Conselho de Segurança e mudanças no poder de veto das potências. A reforma é uma pauta recorrente do presidente desde 2003.

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender uma reforma no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) durante a 81ª Assembleia Geral, em Nova York. Nesta terça-feira (22 de setembro de 2026), pela 10ª vez no Debate Geral, Lula pediu mudanças na composição do órgão e limitações ao poder de veto das potências.
A pauta acompanha Lula desde seu primeiro mandato. Em 2003, o presidente já afirmava que o conselho precisava refletir a realidade geopolítica contemporânea. Mais de duas décadas depois, o argumento central permanece o mesmo: cinco países concentram assentos permanentes e capacidade de bloquear decisões sobre guerra, paz e segurança internacional.
Veto das potências é alvo de críticas
Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França são os membros permanentes do Conselho de Segurança. Cada um deles pode impedir a aprovação de resoluções mesmo quando há apoio da maioria dos demais integrantes. Lula classificou o mecanismo como um “vício de origem” da Carta da ONU e afirmou que os líderes dos países que compõem o conselho precisam se reunir para enfrentar o impasse.
Em seu discurso, o presidente disse que 2026 representa o momento mais crítico vivido pela organização desde sua primeira participação na Assembleia Geral. Segundo Lula, a estrutura atual tornou os países “reféns do imobilismo” de um conselho que, em sua avaliação, não cumpre plenamente o papel para o qual foi criado.
Brasil integra grupo que pede ampliação
A proposta brasileira inclui o aumento do número de membros permanentes e mudanças nas regras de veto. O Brasil integra o G4 ao lado de Alemanha, Índia e Japão. Desde 2004, os quatro países defendem uma ampliação do Conselho de Segurança tanto entre os membros permanentes quanto entre os cargos temporários.
As negociações sobre a reforma ocorrem desde 2009, mas ainda não produziram um texto-base consolidado. A estrutura do conselho só foi alterada uma vez desde 1945, quando os assentos não permanentes passaram de seis para dez. O Pacto para o Futuro, aprovado em setembro de 2024, reconheceu que a América Latina e a África estão sub-representadas, mas não modificou a composição do órgão.
Impasse ganhou força durante a guerra em Gaza
O uso do veto voltou a gerar tensão durante os conflitos em Gaza. Os Estados Unidos barraram, em abril de 2024, uma resolução que recomendava a admissão da Palestina como membro pleno da ONU. Também vetaram sozinhos uma proposta de cessar-fogo em dezembro de 2023 e, em junho de 2025, bloquearam uma resolução apoiada pelos outros 14 integrantes do conselho.
Rússia e China também utilizaram o veto em março de 2024 contra uma proposta apresentada pelos próprios Estados Unidos, que relacionava a interrupção dos combates à libertação de reféns. Os episódios reforçaram a crítica de que decisões essenciais para a paz internacional podem ficar subordinadas aos interesses de uma minoria de países.
Brasil não aderiu ao Conselho da Paz
Lula também relacionou a reforma da ONU à criação do Conselho da Paz, anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em janeiro de 2026. O Brasil recebeu convite para participar, mas não aderiu à iniciativa.
O governo brasileiro apontou restrições ao estatuto do novo conselho, especialmente a presidência vitalícia dos Estados Unidos, a exigência de contribuição de US$ 1 bilhão para países que busquem assento permanente e a ausência de mecanismos para alterar o texto. Em conversa com Trump, Lula propôs que o órgão se limitasse à questão de Gaza e reservasse um assento à Palestina.
O tema também foi tratado com outros líderes internacionais. Xi Jinping, da China, defendeu a centralidade da ONU; Emmanuel Macron, da França, conversou com Lula sobre o fortalecimento da organização; e Narendra Modi, da Índia, manifestou apoio a uma reforma abrangente do conselho.
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