Lula questiona fé de Bolsonaro em ato com artistas no Rio
Durante encontro cultural no Rio de Janeiro, presidente defendeu artistas de ataques de apoiadores da direita e criticou Bolsonaro por falar em nome de Deus. Evento reuniu nomes destacados da música, do cinema e do teatro.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionou a fé do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante um ato com artistas realizado na quarta-feira, 23 de setembro de 2026, na Fundição Progresso, no Rio de Janeiro. A declaração foi feita em um encontro marcado pela defesa da cultura e por críticas ao que Lula classificou como demonização de artistas por apoiadores de políticos de direita.
Crítica ao uso religioso na política
Em seu discurso, Lula afirmou que setores conservadores tratam a produção cultural como algo incompatível com a religião. Ao se referir a Bolsonaro, perguntou se o ex-presidente realmente acredita em Deus e citou o episódio em que um filho do aliado político foi orientado a disputar espaço eleitoral com a própria mãe. Para Lula, esse comportamento contraria a postura esperada de alguém que pretende falar em nome da fé.
A fala integrou uma crítica mais ampla ao clima de hostilidade contra artistas no debate político brasileiro. Lula sustentou que cultura não pode ser tratada como inimiga de valores religiosos e classificou como equivocada a visão de que manifestações artísticas estariam associadas ao demônio. A declaração reforça a aproximação do presidente com representantes do setor cultural em um momento de intensificação da disputa política.
Homenagem a Chico Buarque
Dirigindo-se a Chico Buarque, Lula recordou uma ofensa sofrida pelo compositor em um restaurante no Rio de Janeiro no início do movimento bolsonarista. O presidente criticou a atitude do agressor e classificou Buarque como uma das figuras mais importantes da música brasileira. A homenagem foi um dos momentos de maior repercussão do encontro.
O ato reuniu artistas de diferentes gerações e linguagens, como Geraldo Azevedo, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho, Malu Mader, Marieta Severo, Daniela Mercury, Lenine, Tony Bellotto, Cissa Guimarães, Fernanda Abreu, Zélia Duncan, Humberto Carrão, Juliana Alves, Russo Passapusso, Maeve Jinkings e Antonio Pitanga. Caetano Veloso e Maria Bethânia eram esperados, mas não compareceram.
Caetano havia declarado apoio a Lula em 13 de setembro, durante um show em Taguatinga, no Distrito Federal. No evento carioca, também estiveram presentes a primeira-dama Janja Lula da Silva, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, a deputada Benedita da Silva e o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere. A programação evidenciou a cultura como tema central na articulação política do governo e de seus aliados.
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