18% dos eleitores de Lula e 14% dos de Flávio recebem Bolsa Família
Levantamento realizado entre 20 e 23 de setembro mostra presença relevante do Bolsa Família entre os dois eleitorados e destaca o impacto político do reajuste anunciado por Lula.

Divulgação
Um levantamento do PoderData/Aya, realizado entre 20 e 23 de setembro, aponta que 18% dos eleitores que declaram intenção de votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmam que receberam o Bolsa Família no último mês. Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), esse percentual é de 14%.
Reajuste do benefício entra na disputa eleitoral
O estudo foi aplicado poucos dias depois de Lula anunciar um reajuste de 15,04% no valor do benefício. Com a mudança, o piso mensal do Bolsa Família passa de R$ 600 para R$ 691, com aplicação a partir da folha de outubro. A medida aumenta os gastos do governo com programas sociais e recoloca o programa no centro da estratégia eleitoral do petista.
A pesquisa também registrou avaliação negativa do desempenho pessoal de Lula à frente do governo. Metade dos entrevistados desaprovou o trabalho do presidente, enquanto 41% o aprovaram. O tema social, portanto, aparece como uma oportunidade para o governo demonstrar resultados, embora os dados não comprovem que o reajuste altere a intenção de voto.
Diferença de quatro pontos pode pesar em eleição equilibrada
Embora as participações de beneficiários nos dois eleitorados sejam próximas, uma diferença de quatro pontos percentuais pode ser relevante em uma disputa eleitoral apertada. Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro com apenas 1,8 ponto percentual de vantagem no segundo turno.
O Bolsa Família já havia sido usado como política de valorização em 2022. Na época, o então presidente Jair Bolsonaro elevou o Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, reajuste anunciado quatro meses antes do primeiro turno. A comparação indica que a atualização de benefícios sociais costuma ganhar relevância em períodos eleitorais.
Metodologia da pesquisa
O levantamento ouviu 3.000 pessoas em 723 municípios das 27 unidades da Federação, por meio de ligações para celulares e telefones fixos. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual, com intervalo de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral.
Os resultados devem ser interpretados como uma fotografia da intenção de voto e da composição social dos eleitorados no período da entrevista. Eles mostram a relevância do Bolsa Família entre eleitores de Lula e Flávio, mas não indicam, por si sós, qual será o impacto do benefício no resultado final da eleição.
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