Lula diz que seus amigos são o povo, não Vorcaro
Durante visita às obras da BR-116, em Nova Iguaçu, Lula rejeitou a ideia de amizade com o fundador do Banco Master. A declaração ocorreu após a divulgação de mensagens sobre um suposto recado do presidente ao banqueiro.

Divulgação
Declaração foi feita durante visita às obras da BR-116
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (24 de setembro de 2026), durante visita às obras da BR-116 em Nova Iguaçu, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, que seus amigos são o povo brasileiro, não Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A declaração ocorre em meio ao debate sobre mensagens atribuídas a integrantes do círculo próximo ao banqueiro.
“Quem é amigo do presidente é o povo, não Vorcaro, não é o dono do Banco Master”, disse Lula. A fala busca afastar a existência de uma relação pessoal com o ex-banqueiro, alvo de investigações após a intervenção e a liquidação do Banco Master pelo Banco Central.
Mensagens citam agradecimento por whisky e envio de abraço
A reação presidencial ocorreu um dia após a divulgação de registros encontrados no celular de Vorcaro. Nas conversas, o advogado Walfrido Warde afirma ter estado com Lula e contado ao banqueiro que o presidente teria agradecido novamente por um whisky e enviado um abraço. Vorcaro respondeu à mensagem com um emoji de coração.
O trecho foi enviado em 22 de janeiro de 2025, 47 dias depois de uma reunião entre Vorcaro e Lula no Palácio do Planalto. Na época, o Banco Master ainda não era alvo das investigações que resultariam, posteriormente, na intervenção da autoridade monetária e na prisão do fundador da instituição pela Polícia Federal.
Governo informa que houve apenas um encontro
Em nota, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência informou que Lula se encontrou com Vorcaro somente uma vez, em 4 de dezembro de 2024. Segundo o governo, o encontro não estava previamente agendado e foi mediado pelo ex-ministro Guido Mantega. Também participaram da conversa o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e Gabriel Galípolo, então diretor de Política Monetária do Banco Central.
Ainda conforme a Secom, Vorcaro relatou sentir-se perseguido, enquanto Lula respondeu que eventuais denúncias deveriam ser analisadas tecnicamente pelo Banco Central. A pasta sustenta que não houve outros contatos entre o presidente e o banqueiro e afirma que Lula não recebeu presentes, enviou recados ou comentou festas promovidas por Vorcaro.
Reunião tratou da concentração bancária
Na reunião registrada pelo governo, o então dirigente do Banco Master abordou a concentração do sistema bancário brasileiro e a atuação dos grandes bancos no mercado financeiro. Lula teria respondido que o tema não era de competência direta do governo, mas do Banco Central.
A nova declaração do presidente amplia o debate político sobre a extensão dos contatos entre autoridades e representantes do setor financeiro. Ao rejeitar qualquer vínculo de amizade, Lula procura separar a conversa institucional realizada no Planalto de mensagens e articulações atribuídas ao advogado e ao fundador do Banco Master.
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