Lula associa Flávio Bolsonaro à milícia em propaganda eleitoral
Campanha de Lula divulga vídeo que relaciona Flávio Bolsonaro a pedidos ligados a Robson Calixto, o Peixe, condenado pelo STF por envolvimento no assassinato de Marielle Franco. Senador critica a acusação e promete combater facções se eleito.

Divulgação
Propaganda aproxima Flávio de ambiente ligado à milícia
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgou, nesta quinta-feira (24), uma propaganda eleitoral que associa o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao crime organizado. A mensagem entra na disputa presidencial ao contrapor o discurso de Lula sobre segurança pública às declarações e conexões políticas atribuídas a Flávio durante sua trajetória no Rio de Janeiro.
No texto divulgado nas redes sociais, Lula pergunta se é possível confiar em alguém que estaria do lado do crime organizado. O presidente afirma que seu governo trabalha para proteger as famílias brasileiras e alerta que recursos públicos não podem ser utilizados para beneficiar facções. A propaganda procura transformar essa crítica em uma comparação direta entre a gestão petista e a atuação política do adversário.
O material utiliza trechos de vídeos que relacionam Flávio a pedidos envolvendo Robson Calixto, conhecido como Peixe. Entre os trechos está a destinação de uma emenda no valor de R$ 199.999,79 a um instituto esportivo, solicitada por Calixto. Ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco, caso que segue como um dos mais relevantes casos de violência política no país.
Flávio critica Lula e promete endurecer combate ao crime
A propaganda também reproduz uma declaração de Flávio em que ele afirma que qualquer morador de comunidade dominada por milícia saberia como a situação ocorre. Para a campanha presidencial, o trecho serviria como demonstração de proximidade do senador com esse ambiente. A interpretação faz parte da estratégia eleitoral de Lula, mas o vídeo não representa, por si só, uma decisão judicial sobre eventual responsabilidade de Flávio.
Em resposta, o senador disse que Lula está “gagá” e criticou a tentativa de associação feita pela campanha adversária. Flávio também afirmou que, caso seja eleito, classificaria o PCC, o Comando Vermelho e as milícias como grupos terroristas, medida que exigiria adoção de instrumentos jurídicos e ações integradas das instituições de segurança.
Lula já havia mencionado, em 18 de setembro, a existência de um candidato à Presidência ligado a milícias no Rio de Janeiro. Embora não tivesse citado nomes durante a entrevista, a referência foi associada ao contexto da família Bolsonaro e, especificamente, à trajetória de Flávio. A nova propaganda amplia essa acusação e tende a tornar segurança pública, combate ao crime organizado e uso de recursos públicos temas centrais na reta final da campanha presidencial.
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