Lula defende cooperação contra crime organizado e reafirma soberania na ONU
Na 81ª Assembleia Geral da ONU, Lula defendeu ações internacionais contra armas, lavagem de dinheiro e organizações criminosas, mas afirmou que o Brasil não vai terceirizar a defesa de suas fronteiras.

Divulgação
Cooperação sem terceirização
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta terça-feira (22), durante a abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, uma atuação coordenada entre países para enfrentar o crime organizado. Segundo Lula, a cooperação internacional é necessária para conter o fluxo de armas, recursos financeiros e outros instrumentos que sustentam organizações criminosas. Ao mesmo tempo, reafirmou que o Brasil não vai terceirizar a responsabilidade de proteger suas fronteiras e garantir a segurança da população. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas”, declarou.
Combate ao dinheiro e às armas do crime
Lula informou que apresentou pessoalmente uma proposta ao presidente dos Estados Unidos para ampliar o combate à lavagem de dinheiro realizada por criminosos brasileiros no exterior. “Este é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos”, afirmou. O presidente também citou a criação, em Manaus, do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, que reúne autoridades de segurança pública dos nove países amazônicos. Outra medida destacada foi a aprovação da Lei Antifacção, voltada ao enfrentamento de organizações criminosas.
Tensão com os Estados Unidos
A fala de Lula antecedeu o discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A relação entre os dois governos tem enfrentado períodos de aproximação e tensão, especialmente após Washington classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. O governo brasileiro discorda da classificação, posição que pode influenciar o ritmo e os termos da cooperação bilateral. Para o Brasil, o combate ao crime deve combinar troca de informações e ações conjuntas com respeito à soberania nacional.
Críticas à ONU e às big techs
Além da segurança, Lula fez críticas amplas ao funcionamento das instituições internacionais. Segundo o presidente, a ONU atravessa um momento crítico e tem falhado em sua missão de prevenir guerras e proteger populações vulneráveis. Ele também avaliou que o Conselho de Segurança não cumpre adequadamente seu papel e que a Organização Mundial do Comércio “respira por aparelhos” diante do uso de tarifas como instrumento de pressão econômica. Na área tecnológica, defendeu a regulação das big techs e da inteligência artificial, criticando o que chamou de tentativa de restaurar um neoliberalismo sem regras.
Uma agenda marcada pela soberania
O discurso reforçou temas que devem orientar a política externa brasileira, como defesa da soberania, solução de conflitos, combate à fome e revisão das relações econômicas internacionais. Lula afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém”, criticou as bets e classificou como ilegal o embargo econômico imposto a Cuba. Esta foi a 11ª participação de Lula na abertura da Assembleia Geral da ONU como presidente da República. A agenda brasileira em Nova York também incluiu encontros sobre Palestina, desigualdade, consolidação da paz e direito internacional humanitário.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








