Lula cobra reavaliação de candidaturas ao Senado no Pará para evitar racha
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou a necessidade de uma reunião entre as cúpulas do PT e MDB para reavaliar as candidaturas de Helder Barbalho, Chicão e Celso Sabino ao Senado no Pará, alertando para o risco de divisão de votos e a eleição de um adversário.

Divulgação
O cenário político no Pará se aqueceu com uma intervenção direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que, em recente agenda no estado, expressou preocupação com a pulverização de candidaturas aliadas ao Senado. Com apenas duas vagas disponíveis na Casa Alta, três nomes de sua base – Helder Barbalho (MDB), Chicão (União Brasil) e Celso Sabino (PDT) – disputam os assentos, o que, na visão do presidente, pode comprometer o resultado e beneficiar a oposição.
A manifestação de Lula ocorreu durante um evento, onde o líder petista foi enfático ao abordar a questão. “Nós só temos duas vagas pro Senado. E nós temos 3 candidatos. Você sabe que eu quero que você [Celso Sabino] seja candidato ao Senado. O Chicão, por todo o direito, também quer ser candidato ao Senado. O Chicão tem o apoio do companheiro Helder, e você tem o meu apoio. Mas a gente não está brincando. Isso aqui não é brincadeira”, declarou, evidenciando a seriedade do momento e a necessidade de uma estratégia unificada para o pleito.
Pressão por diálogo entre as cúpulas partidárias
Diante da complexidade da situação, o presidente da República indicou um caminho para a resolução do impasse. Lula sugeriu que os presidentes do PT, Edinho Silva, e do MDB, Baleia Rossi, sentem-se à mesa para uma avaliação conjunta das candidaturas. “Acho que o presidente do meu partido tem que ter responsabilidade junto com o presidente do MDB de amanhã ou no máximo depois de amanhã, fazer uma avaliação para saber qual dos nossos 3 têm condições de ser eleito senador da República aqui nesse Estado”, afirmou. A urgência na medida reflete a preocupação em evitar que a disputa interna acabe por fortalecer um nome alinhado a correntes políticas adversárias.
Risco de eleger um "espírito de porco" da oposição
A tese da união para evitar o fortalecimento da oposição foi reforçada por Lula, que alertou para o perigo de se eleger um candidato alinhado a figuras como Flávio Bolsonaro (PL), utilizando uma linguagem popular para transmitir a gravidade da situação. “Pelo amor de Deus, vamos votar casado. Porque se a gente briga, a gente pode ter um espírito de porco que vai nos criar caso”, disse o presidente. Essa retórica sublinha o cálculo político por trás da intervenção, visando proteger a governabilidade e a base aliada no Congresso Nacional.
Helder Barbalho diverge e exclui Sabino do apoio
Apesar do apelo de Lula por união, a dinâmica local já mostrava sinais de descompasso. Em outro momento do evento em Belém, Helder Barbalho, que também busca uma das vagas, fez um pedido explícito de votos para si e para Chicão, deixando Celso Sabino de fora. “Quem pode vencer essa eleição para o Senado, para não deixar fascista ir para o Senado? É Helder 151 e Chicão, 444”, declarou Barbalho, evidenciando uma estratégia própria que não contempla a candidatura de Sabino, mesmo com o apoio presidencial. O ex-governador, no entanto, fez questão de ressaltar que apresentou Sabino a Lula para o Ministério do Turismo, sinalizando que, apesar da disputa pela mesma vaga, não há inimizade pessoal entre eles, mas uma clara diferença de estratégia política.
A movimentação em Belém, que contou com a presença da governadora do Pará, Hana Ghassan (MDB), do prefeito de Belém, Igor Normando (PSDB), e do senador Beto Faro (PT), sublinha a complexidade das alianças regionais e os desafios que o governo federal enfrenta para manter a coesão de sua base. A decisão final sobre as candidaturas no Pará será crucial para as articulações políticas no próximo período legislativo e pode definir o equilíbrio de forças no Senado.
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