Liderança feminina: diretora do Senado detalha barreiras estruturais em novo livro
Ilana Trombka, diretora-geral do Senado Federal, lança "Mulher: a liderança em 10 lições", obra que aborda os desafios enfrentados por mulheres em posições de comando e propõe caminhos para a equidade.

Divulgação
A trajetória de mais de uma década à frente da Diretoria-Geral do Senado Federal serviu de inspiração para Ilana Trombka, que agora compartilha suas reflexões no livro "Mulher: a liderança em 10 lições". A obra mergulha nos obstáculos que as mulheres encontram para alcançar e se manter em posições de liderança, abordando desde barreiras culturais e a desigualdade na divisão de tarefas domésticas até a dificuldade de obter reconhecimento profissional.
Barreiras estruturais e a experiência no Senado
Funcionária pública de carreira e ocupando a diretoria-geral do Senado desde fevereiro de 2015, Ilana Trombka é reconhecida como a mulher com o mais longo período em cargos de direção no funcionalismo público brasileiro. Em seu livro, ela entrelaça suas vivências pessoais com conceitos teóricos sobre a desigualdade de gênero, oferecendo não apenas um diagnóstico, mas também sugestões práticas para mulheres que almejam progredir em suas carreiras e para aqueles que buscam promover um ambiente de trabalho mais equitativo.
Trombka destaca que muitas mulheres internalizam as dificuldades, acreditando que os problemas são individuais. Contudo, ela enfatiza que as situações enfrentadas são, em grande parte, estruturais, documentadas inclusive pela ciência. A obra se divide em três partes: a primeira explora conceitos como misoginia, sexismo, patriarcado, machismo e feminismo, além de teorias como o "teto de vidro" e a "síndrome da impostora".
Lições para a ascensão e a importância do cuidado
A segunda parte do livro apresenta as dez lições centrais, abordando temas cruciais como a divisão de responsabilidades no lar, maternidade, gestão do tempo, construção de redes profissionais, visibilidade no trabalho e o enfrentamento à violência. Um dos pontos centrais defendidos pela autora é que as dificuldades profissionais femininas não podem ser reduzidas a escolhas ou capacidades individuais, mas sim influenciadas pela organização do trabalho, expectativas sociais e a distribuição desigual das tarefas de cuidado.
Na última lição, Ilana Trombka propõe os "3 Cs" de sua visão de liderança: confiança, competência e cuidado. Ela redefine o cuidado, não apenas como um possível limitador da disponibilidade profissional feminina, mas como um atributo essencial para a gestão de equipes, comunicação e a construção de ambientes de trabalho mais humanos. A experiência no Senado também é utilizada para discutir políticas de inclusão, como a reserva de postos de trabalho para mulheres em situação de vulnerabilidade e a criação da Rede Equidade, voltada para a diversidade e inclusão.
A terceira e última parte do livro expande o diálogo para além das mulheres que buscam cargos de chefia, propondo doze atitudes cotidianas para ampliar a participação feminina em diversos espaços, incentivando a cooperação, o compartilhamento de conhecimento e a presença feminina na política.
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