Governo mantém otimismo pela Pec da redução da jornada, apesar de resultado eleitoral
Ministro da Secretaria de Relações Institucionais afirma que a proposta de emenda à Constituição é prioridade e deve ser votada até quarta-feira (7), mesmo com a disputa acirrada no primeiro turno das eleições presidenciais.

Divulgação
Apesar do cenário eleitoral apertado no primeiro turno, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficando atrás de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em votação, o governo federal mantém o otimismo em relação à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa reduzir a jornada de trabalho. A articulação política para a votação da matéria, considerada uma promessa de campanha e um ativo eleitoral importante, segue a todo vapor.
PEC da redução da jornada segue como prioridade
Em meio à mobilização para o segundo turno das eleições presidenciais, o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, reafirmou que a PEC da redução da jornada de trabalho é uma “prioridade do governo” e que a expectativa é de que a votação ocorra até a próxima quarta-feira (7). A declaração foi feita em Brasília, na chegada a uma reunião de emergência convocada pelo presidente Lula com aliados de todo o país. Guimarães demonstrou confiança na aprovação da matéria, respondendo com um enfático “Acho que dá” quando questionado sobre a viabilidade da votação.
Articulação com presidentes do Congresso e do Senado
O ministro José Guimarães informou que manterá conversas com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para garantir o avanço da PEC. O senador Jaques Wagner (PT-BA) também comentou a situação, indicando que a votação “depende do presidente Davi”. Já o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, expressou o desejo de que Alcolumbre “tenha coragem de votar”, sugerindo que o presidente do Senado teria “ficado enrolando” a proposta. A pauta também será discutida na terça-feira (6) durante a reunião de líderes, agendada para as 11h na Secretaria de Relações Institucionais, no Palácio do Planalto.
Reaproximação e interesse político em jogo
A PEC, que propõe o fim da escala 6x1, ficou cerca de três meses parada no Senado, período marcado por um distanciamento entre o presidente Lula e Davi Alcolumbre, tensionado após a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Eleitoral. A reaproximação entre os dois líderes teria sido intermediada pelos ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin. Integrantes do PT avaliam que a negociação para a votação da proposta pode estar atrelada à necessidade de Alcolumbre em obter apoio para sua reeleição como presidente da Casa Alta.
Disputa eleitoral acirrada e estratégia de campanha
O cenário eleitoral para o segundo turno, marcado para 25 de outubro, apresenta uma disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. A diferença de votos no primeiro turno foi a menor desde 1989. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, minimizou a vantagem de Bolsonaro, classificando-a como “só 2%”, e declarou que o partido buscará lideranças de outras siglas dispostas a apoiar Lula. Apesar da confiança, a campanha petista observa a perda de votos em comparação com o pleito de 2022 e planeja um apelo aos eleitores que não votaram no primeiro turno. Lula, por sua vez, mostrou confiança na reta final, afirmando ser “muito bom no mata-mata”. O Tribunal Superior Eleitoral registrou 39,1 milhões de eleitores entre abstenções, votos brancos e nulos.
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