Flávio diz que Bolsonaro levou água ao Nordeste; obra começou no governo Lula
Flávio Bolsonaro atribuiu ao governo de Jair Bolsonaro a chegada da água do rio São Francisco ao Nordeste, mas a transposição começou em 2007 e atravessou quatro presidências antes de ser concluída parcialmente.

Divulgação
Disputa política em torno da transposição
Em carreata realizada nesta segunda-feira (21) em Natal, no Rio Grande do Norte, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi quem “finalmente trouxe água do São Francisco para o Nordeste”. A declaração foi feita durante evento de campanha e destacou investimentos no Rio Grande do Norte, especialmente no Ramal do Apodi.
Flávio criticou governos anteriores do PT e disse que as obras foram prometidas, mas não entregues. Segundo o senador, Lula e Dilma Rousseff não cumpriram os prazos anunciados, enquanto Jair Bolsonaro teria concluído a transposição. “Precisou chegar o presidente Bolsonaro para que a água finalmente chegasse ao Nordeste”, declarou, ao citar mais de R$ 1,4 bilhão em investimentos no estado.
Implementação começou em 2007
A história da transposição do rio São Francisco é anterior ao governo Bolsonaro. A ideia de levar água do rio para regiões do semiárido nordestino remonta ao Império, enquanto a concepção mais recente do projeto foi apresentada no governo Fernando Henrique Cardoso, em 1998. A implementação, porém, começou de fato no fim do primeiro mandato de Lula, em 2007, com a licitação e a apresentação do projeto básico. As obras tiveram início efetivo em 2008, com previsão inicial de conclusão em 2012.
Obra atravessou quatro governos
O cronograma sofreu atrasos sucessivos, e a transposição avançou em etapas durante os governos Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro. Quando Bolsonaro assumiu a Presidência, em 2019, a estrutura física do projeto já estava majoritariamente concluída. Por isso, a fala de Flávio simplifica uma obra que envolveu diferentes administrações, financiamentos e frentes de serviço ao longo de mais de uma década.
Ramais concluídos no governo Bolsonaro
O governo Bolsonaro concluiu obras remanescentes e conduziu dois ramais que não faziam parte do núcleo original executado nos anos anteriores: o Ramal do Agreste, com 71 quilômetros, e o Ramal do Apodi, com 115 quilômetros. Este último leva água ao Rio Grande do Norte e foi citado por Flávio durante a carreata. A conclusão dessas etapas representa uma entrega relevante, mas não equivale à criação integral da transposição pelo governo Bolsonaro.
Transposição ainda não foi concluída
A transposição total do rio São Francisco ainda não foi entregue. Lula prometeu concluir o projeto ainda este ano, mantendo a obra no centro da disputa política. O embate mostra como a expansão do abastecimento no Nordeste pode ser apresentada como conquista de governos diferentes, embora a cronologia indique que o projeto começou antes de Bolsonaro e recebeu avanços em várias administrações.
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