Festa de Vorcaro teria listado autoridades, mulheres e restrição a celulares
Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e a Fábio Faria detalham a organização de uma festa em São Paulo, com lista de convidados, preocupação com vazamentos e tentativa de reunir autoridades e modelos.

Divulgação
Mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e ao ex-ministro Fábio Faria detalham a organização de uma festa de Halloween realizada em 2023 na boate Madame Satã, em São Paulo. Os registros indicam que o evento foi planejado para reunir empresários, autoridades e modelos, com medidas específicas para evitar a circulação de imagens e a identificação dos convidados.
Lista previa mulheres e número menor de homens
Em uma das mensagens, Vorcaro teria informado que a lista contava com 120 mulheres e 20 homens, afirmando que precisava remover convidadas porque não haveria espaço para todas. Em outro trecho, ao tratar do perfil das mulheres chamadas para o evento, escreveu: “Só menina nova”. A orientação também indicava preferência por estrangeiras, divididas entre convidadas de fora e mulheres já conhecidas no grupo.
Fábio Faria, que foi ministro durante o governo de Jair Bolsonaro, teria atuado na articulação de convites a autoridades. Em troca de mensagens, ele mencionou os senadores Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco, além do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. Segundo os registros, Pacheco e Davi estavam previstos para comparecer, enquanto Toffoli tentaria participar, mas teria uma sessão para presidir na terça-feira.
Preocupação com fotos e vazamentos
Faria também demonstrou preocupação com a possibilidade de vazamento de fotos e vídeos. Em áudio transcrito em relatório da Polícia Federal, ele sugeriu reduzir o número de brasileiras e reforçar a presença de mulheres estrangeiras, afirmando que isso ajudaria a preservar a discrição dos participantes. Vorcaro respondeu que o evento seria “zero stress” e que não permitiria o uso de telefones celulares.
O ex-ministro ainda citou outros nomes da política nacional nas conversas, incluindo Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, Alexandre de Moraes, ministro do STF, e Ciro Nogueira, senador pelo PP de Goiás. Segundo Faria, alguns nomes teriam sido contatados para receber convites, embora não haja confirmação de que todos tenham comparecido ao evento.
Participação de autoridades é negada
Os envolvidos negaram presença na festa. Dias Toffoli informou que não esteve no local. Davi Alcolumbre e Rodrigo Pacheco também afirmaram que não compareceram e que cumpriam agenda de trabalho no Senado, em Brasília. Fábio Faria disse que sua participação se limitou ao envio de convites a amigos em comum para um evento privado.
O advogado Marcos Vinícius Furtado Coêlho negou ser o “MV” mencionado nas mensagens e afirmou que estava em Brasília na data do evento. A assessoria de Wesley Batista também informou que não há elementos que identifiquem o empresário como o “Wesley” citado nas conversas e destacou que ele nunca participou de festas promovidas por Vorcaro.
O episódio ganhou repercussão por envolver empresários, políticos e autoridades do Judiciário em um ambiente privado, além de revelar a tentativa de controlar a presença de celulares e reduzir o risco de registros. As mensagens reacendem o debate sobre a relação entre poder econômico, influência política e eventos reservados no país.
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