Ex-operador da Vitol é condenado nos EUA por esquema de propinas
Javier Aguilar recebeu 48 meses de prisão por esquemas de corrupção no Equador e no México. A condenação não se refere às acusações envolvendo a Petrobras, mas a Vitol admitiu ter participado de corrupção na estatal brasileira.

Divulgação
Condenação nos Estados Unidos
O ex-operador da Vitol Javier Aguilar, de 52 anos, foi condenado nos Estados Unidos a 48 meses de prisão por participar de esquemas internacionais de pagamento de propinas no Equador e no México. A decisão foi anunciada em 18 de setembro de 2026 e não se refere às acusações envolvendo funcionários da Petrobras.
Aguilar atuava como operador de petróleo e commodities no escritório da Vitol em Houston. Ele foi condenado após julgamento pelo esquema no Equador e havia se declarado culpado, em agosto de 2024, por acusações relacionadas a funcionários da Procurement International, subsidiária da estatal mexicana Pemex.
As investigações apontam que os esquemas envolveram mais de US$ 1 milhão em propinas e contratos de petróleo e gás superiores a US$ 500 milhões. Além da prisão, o ex-operador terá de entregar aproximadamente US$ 7,13 milhões vinculados à lavagem de dinheiro e pagar multa de US$ 100 mil. A restituição será definida posteriormente.
Ligações com a Petrobras
O caso ganhou repercussão no Brasil porque a Vitol admitiu, em 2020, ter participado de esquemas de corrupção envolvendo funcionários da Petrobras durante o período relacionado à Lava Jato. A empresa aceitou pagar US$ 135 milhões em penalidades em uma resolução coordenada entre autoridades dos Estados Unidos e do Brasil.
Conforme documentos judiciais, entre 2005 e 2014, a Vitol e seus colaboradores pagaram mais de US$ 8 milhões a pelo menos quatro funcionários da estatal para obter informações confidenciais sobre preços e concorrentes. A prática teria gerado pelo menos US$ 33 milhões em lucros com contratos da Petrobras.
A empresa também admitiu outro esquema, entre 2011 e 2014, no qual propinas foram pagas a pelo menos cinco funcionários da Petrobras para obter dados privilegiados e vencer contratos de óleo combustível. Aguilar trabalhou na companhia durante parte do período investigado, mas não foi condenado nem se declarou culpado por corrupção envolvendo a estatal brasileira.
Métodos usados para ocultar pagamentos
As investigações descrevem o uso de intermediários, empresas fictícias, contratos de consultoria de fachada, notas fiscais falsas e contas offshore para esconder os pagamentos. Parte do dinheiro passou pelo sistema financeiro dos Estados Unidos antes de chegar às contas utilizadas para remunerar funcionários no Brasil.
No caso envolvendo Aguilar, o esquema também recorreu a empresas de fachada, contratos simulados e contas no Panamá e em Curaçao. No Equador, ele e seus cúmplices teriam usado uma estatal do Oriente Médio para contornar restrições à contratação de empresas privadas.
Outros envolvidos e cumprimento da pena
Sete outras pessoas envolvidas nos esquemas, incluindo três funcionários públicos estrangeiros, também se declararam culpadas e concordaram em entregar mais de US$ 63 milhões obtidos com os crimes. Após cumprir a pena de prisão, Aguilar será deportado para o México.
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