Ex-deputado dos EUA é condenado por lobby para a Venezuela
David Rivera, ex-congressista republicano, foi sentenciado a 10 anos de prisão por atuar como agente estrangeiro sem registro e por conspiração para lavagem de dinheiro em favor do governo de Nicolás Maduro.

Divulgação
O ex-deputado norte-americano David Rivera, filiado ao Partido Republicano, recebeu uma sentença de 10 anos de prisão nos Estados Unidos. A condenação, proferida na última sexta-feira, ocorreu após Rivera ser considerado culpado por operar secretamente como agente estrangeiro e por conspiração para lavagem de dinheiro, atuando em benefício do governo venezuelano.
Atuação secreta para o governo de Maduro
Em 2017, Rivera estabeleceu um contrato de consultoria avaliado em US$ 50 milhões com a PDV USA, braço norte-americano da estatal petrolífera venezuelana PDVSA. O objetivo principal do acordo era facilitar a aproximação entre a administração do então presidente Nicolás Maduro e o governo do então presidente Donald Trump, buscando também mitigar as sanções econômicas impostas a Caracas. A Justiça dos Estados Unidos apurou que Rivera omitiu o registro obrigatório do contrato junto às autoridades, conforme exigido pela Lei de Registro de Agentes Estrangeiros (FARA), temendo que a divulgação de seu trabalho para o regime venezuelano pudesse prejudicar sua imagem política anticomunista no estado da Flórida.
Esquema de comunicação e desvio de fundos
Para manter as negociações em sigilo, o ex-congressista utilizou um grupo de mensagens criptografadas com o empresário de mídia venezuelano Raúl Gorrín. Nesse grupo, nomes de código eram empregados para se referir às figuras envolvidas: Maduro era identificado como “motorista do ônibus”, o congressista Pete Sessions como “Sombrero”, a atual presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, como “A Dama de Vermelho”, e o atual secretário de Estado, Marco Rubio, como “Miss Clairol”. Promotores federais apresentaram evidências de que parte dos recursos recebidos por Rivera foi desviada através de contratos fraudulentos, com aproximadamente US$ 3,75 milhões sendo transferidos para uma empresa responsável pela manutenção do iate de luxo de Gorrín.
Defesa e próximos passos
Durante o processo judicial, a defesa de Rivera argumentou que o contrato tinha como finalidade atrair a petrolífera ExxonMobil de volta à Venezuela, uma atividade que, segundo eles, estaria isenta da necessidade de registro como agente estrangeiro. A equipe jurídica anunciou a intenção de recorrer da decisão. Paralelamente, o ex-deputado buscou um indulto presidencial e responde a um processo adicional na Justiça federal em Washington, também relacionado a atividades de lobby.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








