Embaixador em Madri prestou auxílio a lobista ligada a Lulinha em mudança para Espanha
Mensagens revelam que o então embaixador brasileiro em Madri, Orlando Leite Ribeiro, foi acionado por Roberta Luchsinger para auxiliar na mudança de Lulinha e sua família para a Espanha em 2025. A atuação diplomática gerou repercussão política e críticas da oposição.

Divulgação
A reta final da eleição presidencial de 2026 foi marcada por novas revelações sobre a relação entre a lobista Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mensagens divulgadas trouxeram à tona o envolvimento do então embaixador brasileiro em Madri, Orlando Leite Ribeiro, em auxiliar Luchsinger no processo de mudança de Lulinha e sua família para a Espanha, ocorrido em julho de 2025.
Relação explorada politicamente
A ligação entre Luchsinger e Lulinha já vinha sendo alvo de exploração política por parte da oposição. Em janeiro de 2026, Lulinha formalizou a abertura da Synapta SL, uma empresa registrada na capital espanhola. Posteriormente, em abril do mesmo ano, seu endereço fiscal foi transferido para um espaço de coworking no Paseo de la Castellana, embora o empresário não o utilizasse presencialmente.
Apoio consular e repercussão
De acordo com informações confirmadas, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) informou que o embaixador Orlando Leite Ribeiro conheceu Luchsinger e Renata Abreu Moreira, esposa de Lulinha, em setembro de 2024, durante um evento de promoção comercial na representação brasileira. Posteriormente, Luchsinger solicitou à Embaixada uma lista de escolas em Madri, e o setor educacional da representação ofereceu suporte, fornecendo contatos de instituições locais. O Itamaraty ressaltou que prestar informações e compartilhar contatos locais com cidadãos brasileiros é parte das atribuições rotineiras das embaixadas, negando o uso de veículos oficiais no auxílio prestado.
Defesa e críticas da oposição
O advogado de Luchsinger, Marco Aurélio de Carvalho, defendeu a atuação do diplomata, afirmando que a assistência a brasileiros no exterior é uma atribuição das representações diplomáticas e que as conversas acessadas pela Polícia Federal não indicam irregularidades. Ele também esclareceu que a relação entre Luchsinger e Ribeiro era cordial, mas não de amizade íntima. No entanto, a atuação do diplomata, que permaneceu no posto em Madri após o governo Bolsonaro, passou a ser um ponto de ataque da oposição. Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, publicou um vídeo criticando a representação brasileira e sugerindo retaliações a diplomatas em um eventual governo de seu pai. O deputado Ubiratan Sanderson (PL-RS) acionou o Tribunal de Contas da União (TCU) para investigar o caso, questionando o possível uso de recursos públicos em benefício de pessoas ligadas à família presidencial.
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