Brasil espera reunião sobre tarifaço com os EUA à margem do G20
Governo brasileiro planeja reunião presencial com o USTR em Miami, entre 30 de setembro e 1º de outubro, para retomar negociações sobre tarifas impostas pelos Estados Unidos.

Divulgação
O governo federal trabalha para realizar uma reunião presencial com o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR, à margem do G20. O encontro está previsto para 30 de setembro ou 1º de outubro, em Miami, nos Estados Unidos, e deve reunir autoridades econômicas dos países que integram o bloco.
Retomada das negociações
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, informou no Palácio do Planalto que a expectativa de um encontro também é compartilhada pelo representante comercial norte-americano, Jamieson Greer. As duas partes seguem em contato e trocando documentos para organizar a continuidade das discussões.
As conversas foram retomadas em 31 de agosto, quando Elias e Greer participaram de uma videoconferência. O governo brasileiro classificou aquele contato como exploratório e não esperava a definição de um acordo já na primeira rodada. A nova reunião deve aprofundar os pontos divergentes e estabelecer os próximos passos.
Tarifas e pontos de divergência
O impasse começou a ganhar novo capítulo em 16 de julho, quando o governo de Donald Trump impôs tarifa de 25% a produtos brasileiros. A medida foi justificada pela alegação de que práticas comerciais do Brasil prejudicariam empresas e trabalhadores dos Estados Unidos.
Em 24 de julho, os norte-americanos aplicaram outra sobretaxa, de 12,5%, após acusarem o Brasil de não combater com eficácia a entrada de mercadorias produzidas com trabalho escravo. Brasília contesta as acusações e rejeita as justificativas utilizadas para ampliar as restrições comerciais.
Além das tarifas, a pauta inclui Pix, comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento. A amplitude dos temas torna improvável uma solução imediata, mas o encontro pode ajudar a reduzir ruídos e aproximar as posições dos dois governos.
Telefonema reabriu o canal
A retomada das tratativas ocorreu depois de uma ligação de cerca de uma hora e 20 minutos entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. As tarifas foram o tema central da conversa, que reabriu o diálogo político em um momento de tensão comercial entre os dois países.
Apesar do canal reatado, ainda não há sinalização de um acordo definitivo. A proximidade do período eleitoral no Brasil pode adiar decisões mais conclusivas. Lula e Trump devem se encontrar em Nova York na segunda quinzena de setembro, durante a Assembleia-Geral da ONU, mas a passagem do presidente brasileiro pela cidade será breve.
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