Acionistas processam New York Times por suposto viés anti-Israel
Fundo de pensão da Flórida e think tank questionam imparcialidade da cobertura do jornal norte-americano em ação judicial protocolada em Nova York.

Divulgação
Dois acionistas do New York Times apresentaram uma ação judicial contra a empresa controladora do jornal, alegando que a publicação falha em sua supervisão de conteúdos com viés "anti-Israel". Segundo o processo, a empresa teria deixado de informar seus leitores "com veracidade" e não procedeu com correções em tempo hábil, levantando questionamentos sobre a imparcialidade da cobertura jornalística.
Investigação sobre imparcialidade editorial
O State Board of Administration of Florida, um fundo de pensão público administrado pelo Estado da Flórida, e o think tank National Center for Public Policy Research buscam a verificação de que o conselho de administração do jornal permite que a linha editorial seja influenciada por um viés contra Israel. A ação foi protocolada no tribunal estadual de Nova York, em Manhattan, e solicita que um juiz determine a entrega de registros internos da empresa, com foco na cobertura do conflito entre Israel e Hamas.
Relatos de ex-funcionária e queixas formais
Um dos pilares da petição reside nos relatos de uma ex-funcionária da redação do jornal, que não foi identificada nominalmente. De acordo com o processo, ela teria expressado preocupações sobre antissemitismo e viés anti-Israel em seu departamento em pelo menos 15 ocasiões entre 2019 e sua saída em março de 2026. Em um dos episódios mencionados, um supervisor teria dito à funcionária: "Não é seu trabalho ser o ombudsman". As principais queixas dos acionistas incluem a falha da diretoria na supervisão de padrões editoriais, a eliminação do cargo de ombudsman independente em 2017 sem substituto, um histórico de falhas jornalísticas corrigidas apenas após "pressão externa" e a negativa em disponibilizar livros e registros corporativos aos acionistas.
Posicionamento do fundo de pensão e resposta do jornal
Os autores da ação sustentam que a publicação repetida de afirmações "factualmente falsas ou infundadas", muitas das quais foram posteriormente admitidas internamente ou desmentidas externamente, reforça a inferência de que o conselho não apenas falhou em monitorar os controles internos, mas também permitiu a aplicação seletiva dessas regras. James Uthmeier, procurador-geral do Estado da Flórida e administrador do fundo de pensão, declarou via X (antigo Twitter): "O Times afirma que o jornalismo não confiável representa um risco material. Perguntamos se o Conselho supervisiona seus padrões, e eles se recusaram a apresentar sequer uma página. Nos vemos no tribunal". Em resposta, um porta-voz do New York Times, Charlie Stadtlander, rejeitou a ação, classificando-a como "sem fundamento" e movida com "propósito indevido", uma tentativa de "exercer pressão motivada por uma agenda específica contra uma organização de mídia independente" e "inibir o jornalismo protegido pela Primeira Emenda".
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