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Policial

Oito alvos de lavagem de R$ 5,2 milhões no jogo do bicho são denunciados pelo Mprj

Investigação do CyberGAECO/MPRJ identificou ocultação de recursos provenientes da contravenção em empresas de apostas online e operadoras formais. Mandados de busca atingiram Rio, Paraná e Goiás.

Roberto·
Oito alvos de lavagem de R$ 5,2 milhões no jogo do bicho são denunciados pelo Mprj

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou oito pessoas por integrar um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao jogo do bicho, com movimentações ilegais superiores a R$ 5,2 milhões. Segundo a denúncia do Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (CyberGAECO/MPRJ), os investigados dissimularam e esconderam recursos por meio de empresas de apostas esportivas online, transformando valores ilícitos em ativos aparentemente legítimos.

Entre os denunciados estão Flavio da Silva Santos, Vinicius Pereira Drumond, Alexandre Vinicius da Costa Guedes, Jorge Roberto de Oliveira Figueiredo, João Eric Lourenço da Silva, Ana Paula Batista Vitorino, João Victor de Araujo Souza e Lucas Pastore Laporte de Souza. A Justiça determinou a suspensão das atividades e dos CNPJs das empresas JRF Eagle Participações e Invectry Participações, consideradas centrais no esquema.

Operação atinge três estados e bloqueia empresas

Na última terça-feira (1º), a Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços localizados na Barra da Tijuca, Freguesia, Botafogo e Centro do Rio de Janeiro, além de imóveis nos estados do Paraná e Goiás. As diligências contaram com o apoio dos GAECOs dos Ministérios Públicos locais, reforçando a abrangência da investigação. A denúncia foi recebida pela 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa, que já determinou medidas cautelares contra os envolvidos.

Dinheiro sujo entra na economia formal por meio de apostas

As investigações revelam que recursos provenientes da contravenção eram injetados na economia formal através da casa de apostas Rio Jogos, operada pela LEMA Administração e Participações S/A. Para viabilizar o esquema, o grupo utilizava uma rede de empresas interligadas, incluindo as já mencionadas JRF Eagle e Invectry, além das figuras apontadas como laranjas para facilitar as transações.

O rastreamento financeiro identificou que, em 6 de maio de 2024, a LEMA recebeu dois aportes de R$ 2.598.150 cada, um proveniente de João Eric e outro da Apoio Consultoria Financeira, de titularidade dos denunciados Ana Paula e João Victor. No mesmo dia, a empresa transferiu R$ 5,2 milhões à LOTERJ como pagamento da outorga necessária à exploração de apostas de quota fixa — um indício claro de branqueamento de capitais.

Movimentações suspeitas e perfis financeiros incompatíveis

A investigação também mapeou transações incompatíveis com a capacidade econômica declarada dos envolvidos, além de depósitos em espécie realizados com cédulas de pequeno valor, algumas delas mofadas — prática comum em lavagem de dinheiro para dificultar o rastreio. Os valores transitavam entre contas de pessoas físicas e jurídicas, sempre com o objetivo de ocultar a origem ilícita dos recursos.

A apuração segue em andamento, com a Justiça atuando para desmantelar a estrutura criminosa e responsabilizar todos os participantes do esquema.

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