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Trigo: tecnologias de manejo fisiológico garantem até 423 kg/ha a mais em safras sob El Niño

Roberto Neves
20 de maio de 2026 às 20:46
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Trigo: tecnologias de manejo fisiológico garantem até 423 kg/ha a mais em safras sob El Niño
Divulgação / Imagem Automática

Com a chegada do El Niño mais intenso, a safra de trigo 2024/25 começa sob um clima de incertezas. A irregularidade das chuvas, oscilações bruscas de temperatura e períodos de restrição hídrica desafiam os produtores desde o plantio, exigindo estratégias mais precisas para evitar perdas no potencial produtivo.

O impacto do clima no desenvolvimento da cultura

O trigo é especialmente sensível às variações climáticas, principalmente nas fases iniciais de estabelecimento e perfilhamento. Segundo Felipe Sulzbach, responsável pelas operações da Elicit Plant Brasil, a combinação de chuva concentrada, estresse hídrico e temperaturas instáveis pode reduzir drasticamente o desenvolvimento das plantas. “O planejamento da safra já considera o cenário climático desde o início. A planta sente muito essas mudanças, especialmente quando o estresse abiótico se soma a momentos críticos do ciclo”, explica o executivo.

Tecnologias que antecipam respostas da planta

A empresa tem monitorado lavouras que adotam manejos fisiológicos avançados, com foco em elicitação — técnica que estimula respostas naturais das plantas para enfrentar condições adversas. O resultado é notável: enquanto o manejo padrão apresenta um incremento médio de 266 kg/ha, tecnologias em desenvolvimento alcançam ganhos de até 423 kg/ha, o equivalente a sete sacas por hectare e um aumento de 11% na produtividade.

Manejo estratégico: o segredo para manter a estabilidade

O diferencial está na aplicação de produtos que atuam entre o alongamento do colmo e a fase pré-reprodutiva. Essa janela é crucial para o trigo, pois é quando a planta define seu potencial de enchimento de grãos. “Manter a área foliar ativa por mais tempo, otimizar o uso de água e nutrientes e reduzir perdas por estresse são os pilares desse manejo”, detalha Sulzbach. Nas áreas acompanhadas, as lavouras tratadas apresentaram emergência mais uniforme, vigor inicial superior e maior estabilidade ao longo do ciclo — características que se tornam vitais em anos de maior pressão climática.

Um passo além: o futuro do manejo do trigo

Os dados da Elicit Plant Brasil reforçam que a adoção de tecnologias fisiológicas não é apenas uma resposta pontual, mas uma evolução no modo de produzir. Com a intensificação dos fenômenos climáticos, a busca por soluções que preservem o potencial produtivo das culturas ganha protagonismo. “Os produtores estão cada vez mais proativos. Não esperam os danos acontecerem para agir”, observa o executivo. Nesse contexto, o trigo deixa de ser apenas uma cultura de rotação e se consolida como um termômetro da resiliência do agronegócio brasileiro diante das mudanças climáticas.

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