Portal de Notícias
Backstage Geek

Tilapicultura brasileira bate recorde histórico de 1 milhão de toneladas, mas enfrenta guerra de preços e importados asiáticos

Roberto Neves
15 de maio de 2026 às 10:37
Compartilhar:
Tilapicultura brasileira bate recorde histórico de 1 milhão de toneladas, mas enfrenta guerra de preços e importados asiáticos
Divulgação / Imagem Automática

A tilapicultura brasileira não apenas alcançou um marco histórico em 2025, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas de pescado cultivado, como também se consolidou como uma das cadeias produtivas mais dinâmicas do agronegócio nacional. O setor, que já representou 70% dessa produção, enfrenta agora um novo desafio: transitar de uma atividade predominantemente rural para um modelo industrial competitivo, capaz de resistir à pressão de importados asiáticos e às oscilações de mercado.

A revolução silenciosa na produção de tilápia

Durante o Seminário Regional de Tilapicultura, realizado no dia 7 de maio em São Miguel do Oeste (SC), o técnico Cristiano Bordignon, da ATeG Piscicultura do Sindicato Rural de São Lourenço do Oeste, apresentou um panorama revelador. “A tilápia deixou de ser uma atividade complementar para se tornar uma estratégia econômica para milhares de pequenas propriedades rurais”, afirmou. O dado mais emblemático é a participação da espécie na produção nacional: das 1 milhão de toneladas de pescado cultivado em 2025, 70% vieram da tilápia — um salto que reflete não apenas o aumento da produtividade, mas também a profissionalização do setor.

Santa Catarina, apesar de ser o 20º estado em extensão territorial, ocupa a quarta posição no ranking nacional de produção aquícola. O estado se destaca pela adoção de tecnologias avançadas, intensificação produtiva e forte integração com a agroindústria, fatores que impulsionaram seu crescimento mesmo em um cenário de alta concorrência.

Preços em montanha-russa: de R$ 7 a R$ 10 por quilo em um ano

A volatilidade dos preços da tilápia em 2026 foi outro ponto crítico discutido no evento. Segundo dados do Cepea, após um ciclo de forte retração em 2025, quando os valores chegaram a R$ 7 por quilo em polos como Norte do Paraná e Grandes Lagos (divisa de SP, MS e MG), a cotação iniciou 2026 com uma recuperação expressiva, superando novamente os R$ 10 por quilo. “Esse comportamento sazonal é previsível, mas a intensidade das oscilações preocupa os produtores”, explicou Bordignon.

A pressão dos importados asiáticos, principalmente da China, agrava o cenário. Produtos estrangeiros, muitas vezes vendidos a preços abaixo do custo de produção local, inundam o mercado brasileiro, forçando os produtores nacionais a buscar alternativas para manter a competitividade. “A guerra de preços não é apenas uma questão de oferta e demanda, mas também de regulação e estratégias comerciais”, destacou o técnico.

Sustentabilidade e inovação: o futuro do setor

Para além dos desafios comerciais, o seminário abordou a necessidade de inovar na gestão de resíduos e na agregação de valor aos produtos. “Transformar o que antes era lixo em receita é uma das grandes oportunidades para o setor”, afirmou Bordignon. Projetos que visam o aproveitamento integral do pescado, desde a produção até a industrialização, foram apresentados como caminhos para aumentar a margem de lucro e reduzir o impacto ambiental.

O evento, promovido pela Epagri com apoio do Sistema FAESC/SENAR, sindicatos rurais, Secretaria de Aquicultura e Pesca de Santa Catarina e prefeitura municipal de São Miguel do Oeste, reforçou que a tilapicultura brasileira está em um momento de transição: de atividade artesanal para um modelo industrial, de complemento de renda para estratégia econômica. No entanto, a sustentabilidade desse crescimento dependerá da capacidade do setor de enfrentar os desafios regulatórios, a concorrência internacional e a volatilidade de preços — sem perder de vista a inovação e a profissionalização.

O que você achou desta notícia?

Sua avaliação ajuda nossa redação a entregar o melhor conteúdo.