A virada estratégica da Stellantis na eletrificação ganhou contornos definitivos com o anúncio de 24 carros híbridos plenos (HEV) até 2030, uma guinada que coloca o grupo ítalo-franco-americano de frente com gigantes do setor como Toyota, Hyundai e Kia. O plano, revelado durante o Investor Day 2026, marca o abandono gradual dos híbridos leves (MHEV) e plug-in (PHEV) — tecnologias já adotadas em modelos como os SUVs da Leapmotor — em favor de sistemas mais robustos, com baterias de maior capacidade e maior tempo de funcionamento em modo 100% elétrico.
O que muda com os híbridos plenos?
Os novos HEVs da Stellantis prometem reduzir o consumo de combustível e as emissões de CO₂ em até 40% em comparação aos modelos térmicos atuais, graças a um sistema que combina motor elétrico e térmico de forma paralela — como nos pioneiros Toyota Prius e Honda Civic Hybrid. Diferentemente dos híbridos leves, que apenas auxiliam o motor a combustão, ou dos plug-in, que dependem de recarga externa, os HEVs recarregam suas baterias via frenagem regenerativa e pelo próprio motor térmico, dispensando tomadas. A tecnologia já é adotada por marcas como Nissan (com o Kicks e Versa), Renault (Clio E-Tech) e até mesmo a Dacia, que surpreendeu o mercado com o Sandero ECO-G 140.
Stellantis mira Europa e América do Sul — mas exclui algumas marcas
Embora a montadora não tenha revelado quais modelos ou marcas serão contemplados — apenas indicou segmentos B (compactos), C (médios) e D (grandes) — é provável que as novidades abranjam marcas como Jeep (especialmente em picapes e SUVs), Fiat (com foco em utilitários como a Strada), Citroën e Opel. A exceção pode ser Maserati, Dodge e RAM, que seguem apostando em elétricos puros ou extensores de autonomia (EREV), além da Leapmotor, já focada em NEVs (veículos elétricos com ou sem extensor).
O anúncio faz parte do plano FaSTLAne 2030, que prevê mais de 60 lançamentos globais até o final da década. A estratégia é clara: competir não apenas com os asiáticos, mas também com a Volkswagen e a Mazda, que já sinalizaram adesão aos HEVs nos próximos anos. Para os consumidores, a novidade pode significar preços mais acessíveis que os plug-in e maior praticidade que os elétricos puros — sem a necessidade de estações de recarga.
Corrida tecnológica: Stellantis acelera para não ficar para trás
A Stellantis não é a primeira a apostar nos HEVs. Marcas como Ford (com o Kuga Hybrid), Mitsubishi (Outlander PHEV, que pode operar como HEV) e até a chinesa GWM já oferecem a tecnologia. No entanto, o grupo europeu-asiático-americano tem um desafio extra: equilibrar a transição para eletrificação com a herança de modelos icônicos movidos a gasolina ou diesel, como os jipes Jeep Wrangler ou as picapes RAM. A aposta nos HEVs pode ser a ponte perfeita — barata o suficiente para atrair o público geral, mas avançada o suficiente para cumprir metas ambientais.
Enquanto isso, no Brasil, onde a discussão sobre incentivos fiscais para híbridos ainda engatinha, a novidade chega em um momento crucial. Com a frota de veículos elétricos ainda tímida (menos de 1% das vendas em 2025), os HEVs poderiam se tornar a opção mais viável para quem busca redução de emissões sem abrir mão da autonomia. Resta saber se a Stellantis será rápida o suficiente para lançar modelos competitivos — ou se, como no caso dos elétricos, ficará atrás de rivais mais ágeis.
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