Uma operação coordenada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e pela Polícia Federal (PF) resultou na apreensão de 48 toneladas de açúcar do tipo VHP (Very High Polarization) no Porto de Paranaguá, no Paraná, nesta quarta-feira (14). A carga, que seria exportada via corredor de exportação do terminal portuário, foi retida após fiscalização flagrar indícios de contaminação por materiais insolúveis — aparentemente areia — em proporções incompatíveis com os padrões regulamentares.
A fraude que colocou em risco a exportação de açúcar brasileiro
Os agentes federais identificaram a irregularidade durante vistorias de rotina, quando testes rápidos em campo revelaram a presença de impurezas acima dos limites permitidos. Segundo normas técnicas do setor, o açúcar VHP — amplamente utilizado na indústria alimentícia e de bebidas — deve apresentar pureza superior a 99,5%. A contaminação detectada, no entanto, sugeria uma tentativa de adulteração deliberada, possivelmente para reduzir custos ou burlar fiscalizações.
Diante da gravidade do caso, os auditores fiscais do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal no Paraná (Sipov/PR) coletaram amostras oficiais e as encaminharam ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Goiás (LFDA/GO), onde análises laboratoriais confirmarão — ou não — a presença de areia e outros materiais estranhos. O laudo definitivo é aguardado para os próximos dias e determinará o destino da carga.
Empresa autuada e carga pode ser destruída se irregularidades forem confirmadas
A empresa proprietária do açúcar foi autuada pelos órgãos federais e, caso as análises laboratoriais confirmem as suspeitas, o lote sofrerá desclassificação comercial imediata. Em casos extremos, como o de contaminação comprovada, a legislação brasileira prevê a destruição do produto para evitar danos à saúde pública ou prejuízos ao mercado internacional. “A ausência de rastreabilidade sobre as substâncias encontradas eleva o risco à defesa agropecuária nacional”, declarou um representante do Mapa, que não quis se identificar.
O Porto de Paranaguá, maior escoadouro de açúcar do país, já havia sido alvo de fiscalizações intensificadas após denúncias de fraudes similares nos últimos anos. Em 2023, mais de 200 toneladas de açúcar foram apreendidas por suspeita de contaminação ou rotulagem irregular. “Essas operações reforçam a necessidade de vigilância constante, pois a adulteração de commodities agrícolas não apenas prejudica a imagem do Brasil no exterior, como também afeta diretamente os produtores sérios”, avaliou um especialista do setor, que preferiu não ser nomeado.
Impacto no mercado e consequências para a empresa envolvida
Caso a contaminação seja confirmada, a empresa poderá enfrentar multas milionárias e a suspensão de suas atividades comerciais com órgãos públicos. Além disso, a reputação do país como fornecedor confiável de açúcar poderá ser abalada, especialmente em mercados exigentes como União Europeia e Estados Unidos, onde a pureza do produto é um requisito não negociável.
O caso será encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) para apuração de eventual crime contra a ordem econômica. “Fraudes desse tipo não apenas lesam o consumidor, como também distorcem a competitividade do setor”, afirmou um delegado da PF envolvido na operação.
Enquanto aguardam o laudo definitivo, as autoridades mantêm a carga retida e reforçam os protocolos de fiscalização nos terminais portuários. “A integridade do nosso agronegócio depende de ações como esta”, concluiu o Mapa em nota oficial.
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