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Lula promete ouvir setores antes de definir redução da jornada: ‘Ninguém será imposto na marra’

Roberto Neves
20 de maio de 2026 às 11:38
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Lula promete ouvir setores antes de definir redução da jornada: ‘Ninguém será imposto na marra’
Divulgação / Imagem Automática

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu um tom conciliador ao anunciar que a redução da jornada de trabalho — com a extinção da escala 6×1 — será discutida de forma setorizada e negociada, sem imposições unilaterais por parte do governo federal. A declaração, feita durante a abertura do Encontro Internacional da Indústria da Construção (Enic), em São Paulo, veio após a entrega de uma pauta de reivindicações da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que incluiu a pauta trabalhista entre suas prioridades.

Construção civil: setor-chave pressiona por ajustes na reforma trabalhista

A CBIC, representando um dos setores mais impactados pela possível mudança, entregou ao presidente um documento com demandas específicas, destacando a necessidade de flexibilização para evitar prejuízos à geração de empregos e à produtividade. Durante o evento, Lula destacou a importância do diálogo, ao afirmar que “a construção civil é imprescindível para o futuro deste país, pois é quem gera emprego com mais facilidade e faz as coisas acontecerem”.

Dois dias de descanso: o que muda na prática para trabalhadores e empresas

A proposta de eliminar a escala 6×1 — que permite seis dias de trabalho seguidos por um de folga — está inserida em um contexto mais amplo de reforma na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Segundo Lula, a medida busca adequar a legislação à evolução social, citando o desejo da população por mais tempo de lazer, estudo e convivência familiar. “As pessoas querem mais tempo para namorar, para estudar, para viver. Isso é natural, porque a sociedade avança com a tecnologia”, argumentou.

No entanto, o presidente foi categórico ao afirmar que não haverá imposições: “A jornada será aplicada levando em conta a especificidade de cada categoria. Não se vai fazer isso na marra. Precisamos respeitar a realidade de cada profissão e setor para que o benefício seja real para a sociedade brasileira”. A estratégia busca evitar conflitos com setores que dependem de trabalho contínuo, como o de transporte e saúde, cujas escalas rotativas poderiam ser afetadas.

Financiamento e emprego: a relação de mão dupla entre governo e construção

Em um discurso direcionado aos empresários do setor, Lula reforçou a interdependência entre Estado e iniciativa privada. “Vocês precisam de mim para fazer financiamento, e eu preciso de vocês para gerar empregos e construir infraestrutura”, declarou. A fala sinaliza que, embora o governo esteja aberto a ouvir demandas, espera reciprocidade na execução de políticas públicas — especialmente em um setor que, historicamente, tem sido alvo de programas habitacionais e obras públicas.

O anúncio ocorre em um momento em que o governo busca equilibrar avanços sociais com a manutenção da competitividade econômica. Enquanto a redução da jornada é apresentada como uma conquista dos trabalhadores, a preocupação com possíveis aumentos de custos para as empresas — e consequentes demissões — segue como tema de debate no Congresso e entre especialistas.

Próximos passos: como será a tramitação da proposta

Segundo o Ministério do Trabalho, a discussão sobre a reforma trabalhista será conduzida em câmaras setoriais, com participação de sindicatos, empresários e governo. A expectativa é que um projeto de lei seja apresentado até o final do ano, após consultas públicas. Enquanto isso, setores como o da construção — que já enfrentam desafios com a sazonalidade e alta informalidade — preparam estratégias para adaptar suas operações sem comprometer a geração de empregos.

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