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Citricultura paulista afunda em 2026: preços em queda e custos em alta esmagam margens dos produtores

Roberto Neves
14 de maio de 2026 às 18:31
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Citricultura paulista afunda em 2026: preços em queda e custos em alta esmagam margens dos produtores
Divulgação / Imagem Automática

O setor citrícola paulista enfrenta sua pior crise em décadas. Dados do Especial Citros 2026, divulgado pela revista Hortifruti Brasil do Cepea (Esalq/USP), revelam que a safra 2025/26 encerra sob uma pressão sem precedentes: os preços da laranja despencaram, enquanto os custos de produção dispararam, criando uma tempestade perfeita para os produtores.

A armadilha dos estoques: preços em queda e receita em colapso

A recuperação da oferta de laranja — após a menor colheita em 37 anos na temporada anterior — provocou uma virada abrupta nos preços. Segundo pesquisadores do Cepea, as cotações da fruta recuaram de forma expressiva, enquanto os estoques de suco concentrado se recompuseram. O paradoxo, no entanto, é que mesmo com volumes exportados estáveis, a receita com vendas externas despencou, jogando por terra a sustentabilidade financeira de muitas propriedades.

O que mudou em um ciclo: de 2024 para 2026

Em 2024, a escassez de laranja fez os preços explodirem, garantindo lucros aos produtores. A virada veio em 2025: a safra voltou a crescer, mas os custos de produção — insumos, mão de obra, energia — não só se mantiveram altos como subiram ainda mais. Hoje, a laranja é vendida a valores que não cobrem os gastos básicos, enquanto o suco concentrado, principal produto derivado, enfrenta queda na demanda internacional. A combinação de oferta maior e receita menor criou uma inflexão perversa no ciclo econômico da citricultura.

O futuro que assombra: sustentabilidade em xeque

Os especialistas do Cepea alertam que, sem um ajuste estrutural — seja na redução de custos, seja em políticas de apoio — a citricultura paulista pode enfrentar um ciclo de encolhimento. Pequenas e médias propriedades, já fragilizadas, são as primeiras a sentir o impacto. A exportação, outrora motor do setor, agora oscila em patamares incertos, enquanto o mercado interno, embora mais estável, não consegue absorver a produção excedente.

Para o produtor rural, a equação é clara: produzir mais laranja hoje significa perder dinheiro. E, sem alternativas viáveis, o risco de abandono de áreas cultiváveis ou migração para outros cultivos nunca foi tão alto.

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