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Chuvas na colheita do café: prejuízos na safra e incertezas para o mercado

Roberto Neves
20 de maio de 2026 às 09:09
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Chuvas na colheita do café: prejuízos na safra e incertezas para o mercado
Divulgação / Imagem Automática

A colheita do café arábica no Brasil enfrenta um revés climático justamente quando os cafeicultores depositavam esperanças em uma safra promissora. As recentes chuvas, intensas em regiões como o norte do Paraná e o oeste de São Paulo, estão comprometendo a qualidade de parte dos grãos, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

O impacto imediato nas lavouras em colheita

No norte do Paraná, as chuvas já resultaram em uma pequena baixa na qualidade dos grãos, conforme relatório do Cepea. A umidade excessiva durante a colheita pode favorecer o desenvolvimento de fungos e doenças, como a ferrugem, além de dificultar a secagem natural dos grãos. Em Marília (SP), as precipitações volumosas preocupam ainda mais: os grãos já caídos no solo estão sendo molhados, o que prejudica a colheita mecanizada e aumenta os riscos de contaminação.

O paradoxo das chuvas: benefícios para a próxima safra

Apesar dos danos à safra atual, as chuvas são bem-vindas para as lavouras mais tardias e para a próxima temporada. A umidade no solo é crucial para a floração e desenvolvimento das plantas, especialmente em regiões como o Cerrado mineiro. No entanto, o equilíbrio é frágil: chuvas em excesso ou mal distribuídas podem tanto salvar quanto arruinar uma safra.

Sul de Minas: o refúgio dos cafeicultores?

Enquanto o Paraná e São Paulo enfrentam prejuízos, o Sul de Minas Gerais aparece como uma exceção. Agentes consultados pelo Cepea indicam que as chuvas na região devem ter volume reduzido, sem causar danos significativos à safra atual. Essa diferença regional reforça a importância do microclima na produção cafeeira brasileira, um setor que já convive com a volatilidade dos preços e os desafios logísticos.

O mercado reage aos impactos

A notícia das chuvas adversas já acendeu um sinal de alerta no mercado. Produtores e traders monitoram de perto a qualidade dos grãos colhidos, enquanto a Esalq/USP e a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) ajustam suas projeções. A expectativa é de que a oferta de café de alta qualidade possa ser menor do que o esperado, o que tende a pressionar os preços no curto prazo. A área tratada com defensivos agrícolas cresceu 7,5% em 2025, segundo pesquisadores do Cepea, um reflexo dos esforços para mitigar os danos causados pelo clima.

O que esperar daqui para frente?

Os próximos dias serão decisivos. Se as chuvas cessarem e o tempo seco prevalecer, os cafeicultores poderão minimizar os prejuízos. Por outro lado, novas precipitações intensas podem agravar a situação. Além disso, a saúde das lavouras que ainda não foram colhidas depende diretamente das condições climáticas nas próximas semanas. Para os consumidores, a tendência é de alta nos preços do café nos pontos de venda, especialmente se a safra brasileira, maior produtora mundial, sofrer redução na qualidade.

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