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Economia

China trava exportações: quatro frigoríficos brasileiros têm compras de carne bovina suspensas em 2024 por resíduo proibido

Roberto Neves
21 de maio de 2026 às 17:21
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China trava exportações: quatro frigoríficos brasileiros têm compras de carne bovina suspensas em 2024 por resíduo proibido
Divulgação / Imagem Automática

A China intensificou seus protocolos sanitários sobre a carne bovina brasileira e, em apenas quatro meses de 2024, já suspendeu as importações de quatro frigoríficos nacionais — três deles na última semana. A decisão da Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) abrange unidades da JBS (MT), PrimaFoods (MG) e Frialto (MT), todas acusadas de exportar cargas com resíduos de acetato de medroxiprogesterona, um hormônio sintético proibido no mercado chinês.

A desabilitação imediata e o estrago na cadeia exportadora

A medida entrou em vigor na quarta-feira (20) e foi registrada no sistema Ciferquery SingleWindow, plataforma oficial da GACC que controla as empresas autorizadas a vender alimentos ao país. O ofício com a notificação foi enviado à adidância agrícola brasileira em Pequim e, posteriormente, ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), vinculado ao Ministério da Agricultura. Segundo fontes do setor consultadas pelo Broadcast Agro, a suspensão é automática e não há previsão de prazo para retomada das exportações pelas unidades afetadas.

O hormônio vetado e a reincidência do problema

O acetato de medroxiprogesterona é um composto utilizado em medicamentos veterinários para controle reprodutivo de bovinos, mas sua presença em tecidos animais destinados ao consumo humano é vedada pela legislação chinesa. O mesmo motivo já havia levado à suspensão, em abril, das compras da Pantaneira Indústria e Comércio de Carnes (MT), do grupo Frigosul (SulBeef), elevando para quatro o número de frigoríficos brasileiros desabilitados pelo gigante asiático em 2024.

Dependência do mercado chinês agrava o impacto

A China é o principal destino da carne bovina brasileira, responsável por 60% das exportações do setor em 2023. Com a suspensão de unidades estratégicas — incluindo duas da JBS, gigante do segmento —, o setor teme um efeito dominó nas vendas. “É um golpe duro em um momento de alta nos custos de produção e queda nos preços internacionais”, afirmou um executivo de frigorífico não identificado, que pediu anonimato para tratar do tema sensível. Analistas do mercado projetam que a medida pode reduzir em até 5% o volume de carne exportada pelo Brasil no primeiro semestre, caso não haja solução rápida.

Pressão sobre o governo brasileiro e cobranças por soluções

O Ministério da Agricultura já iniciou contatos com a GACC para entender os critérios da suspensão e buscar alternativas. “Estamos avaliando se há irregularidades nos processos internos ou se trata-se de um rigor excessivo”, declarou uma fonte do Mapa. Enquanto isso, associações setoriais como a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) convocaram reuniões emergenciais para mapear os riscos e pressionar por mudanças na fiscalização brasileira. “A China não está brincando. Se não corrigirmos os processos, mais unidades podem ser afetadas”, alertou um representante da entidade.

O caso reacende debates sobre a fragilidade do modelo brasileiro de exportação, que ainda enfrenta desafios em rastreabilidade e controle de resíduos, mesmo após investimentos recentes em tecnologia. Para especialistas, a crise atual expõe a necessidade de o Brasil diversificar seus mercados ou, ao menos, robustecer seus protocolos sanitários para evitar novos episódios como este.

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