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Brasil deve colher recorde de 66,7 milhões de sacas de café em 2026, aponta Conab

Roberto Neves
21 de maio de 2026 às 17:11
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Brasil deve colher recorde de 66,7 milhões de sacas de café em 2026, aponta Conab
Divulgação / Imagem Automática

A produção de café no Brasil deve atingir um marco histórico na safra 2026, com uma colheita estimada em 66,7 milhões de sacas, um salto de 18% em relação ao ciclo anterior. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), esse volume superaria em 5,74% o recorde anterior, registrado em 2020 (63,08 milhões de sacas), consolidando o país como o maior produtor global da commodity.

A bienalidade positiva e o clima impulsionam a safra recorde

O crescimento projetado é sustentado por três fatores determinantes: o ciclo natural de bienalidade positiva do café arábica — que alterna anos de alta e baixa produtividade —, a expansão de 3,9% na área plantada (chegando a 2,34 milhões de hectares) e as condições climáticas favoráveis nos principais estados produtores. A produtividade média nacional também deve se recuperar 13%, alcançando 34,4 sacas por hectare, conforme o 2º Levantamento da Safra de Café 2026, divulgado nesta quinta-feira (21).

Arábica lidera o crescimento, enquanto conilon registra estabilidade

Para o café arábica, a Conab prevê uma produção de 45,8 milhões de sacas, um aumento expressivo de 28% em relação à safra anterior. Esse volume representa a terceira maior colheita da série histórica, atrás apenas de 2020 e 2018. A alta é atribuída à bienalidade positiva, à ampliação de áreas dedicadas ao grão e ao clima favorável, especialmente nas fases críticas de floração e granação.

Já o café conilon, embora registre um crescimento modesto de 0,8% (20,9 milhões de sacas), enfrenta desafios. A queda de 3,5% na produtividade média nacional (53,9 sacas/hectare) é compensada pelo aumento de 2,5% na área plantada, que deve atingir 388,22 mil hectares. Especialistas destacam que a estabilidade do conilon depende de políticas públicas para mitigar os efeitos de pragas e variações climáticas.

Minas Gerais: o gigante da cafeicultura nacional

O estado de Minas Gerais, responsável por mais de 50% da produção nacional de café, deve colher 33,4 milhões de sacas na safra 2026 — um crescimento de 29,8% em relação ao ciclo anterior. O desempenho é impulsionado pela bienalidade positiva, pela distribuição equilibrada de chuvas nos meses chaves e pelo clima favorável até março, que garantiram uma boa granação dos grãos. Outros estados como São Paulo, Espírito Santo e Bahia também apresentam incrementos significativos, embora em menor escala.

Riscos e desafios: preços internacionais e sustentabilidade

Apesar do otimismo, o setor enfrenta incertezas. A superprodução pode pressionar os preços internacionais do café, que já estão em queda desde 2022. Além disso, a dependência de condições climáticas favoráveis e a necessidade de investimentos em tecnologias sustentáveis — como o uso de ozônio no tratamento de água, que pode reduzir em 95% o uso de produtos químicos — são temas urgentes na agenda dos cafeicultores. “O Brasil precisa equilibrar volume e qualidade para não comprometer a imagem do café nacional no mercado global”, avalia um analista do setor.

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