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Economia

Boi gordo recua: safra farta, consumo fraco e frigoríficos em ritmo confortável derrubam preços da arroba

Roberto Neves
15 de maio de 2026 às 08:38
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Boi gordo recua: safra farta, consumo fraco e frigoríficos em ritmo confortável derrubam preços da arroba
Divulgação / Imagem Automática

O mercado físico do boi gordo vive um momento de contração inédita em 2024. A combinação de safra farta, escalas de abate confortáveis para os frigoríficos e um consumo interno cada vez mais hesitante está derrubando as cotações da arroba em praticamente todas as principais praças pecuárias do Brasil.

Oferta recorde e pastagens em declínio: a engrenagem da queda

Segundo analistas do setor, o atual cenário reflete o auge da safra do boi gordo, período em que a maior disponibilidade de animais a pasto — aliada à deterioração gradual das pastagens — reduz a capacidade dos produtores de reter gado. Com mais bois prontos para abate, os frigoríficos ganham fôlego para operar com escalas estendidas, entre sete e nove dias úteis na média nacional, diminuindo a urgência por compras agressivas no mercado físico.

São Paulo, Goiás e Mato Grosso: a mancha vermelha se espalha

O recuo não poupou nem mesmo estados tradicionalmente resistentes às baixas. Em São Paulo, a Agrifatto registrou o boi gordo comum a R$ 345/@ e o “boi-China” a R$ 355/@ (valores a prazo), enquanto a Scot Consultoria manteve referência de R$ 350/@ para o mercado interno e R$ 355/@ para o padrão-exportação. Em Goiás, a queda foi ainda mais acentuada: a arroba recuou para R$ 329,89/@, segundo dados da Safras & Mercado. Minas Gerais (R$ 328,24/@) e Mato Grosso do Sul (R$ 345,91/@) também sentiram o baque, enquanto o Mato Grosso, embora ainda acima dos R$ 350/@, viu sua resistência se dissipar.

Consumo em baixa: o X da questão que ninguém quer enfrentar

Mas não é só a oferta que trava o mercado. O consumo interno de carne bovina — já fragilizado pela inflação persistente e pela concorrência com proteínas alternativas — segue em ritmo lento, agravando a pressão sobre os preços. “O alongamento das escalas está diretamente ligado à maior disponibilidade de gado, mas o cenário externo também pesa”, explica Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado. “As exportações brasileiras, especialmente para China, Estados Unidos e União Europeia, são monitoradas de perto, mas a demanda doméstica é que está definhando.”

O que esperar para a segunda quinzena de maio?

As consultorias do setor já acendem o alerta: a tendência é de continuidade da queda nos preços, pelo menos até o fim de maio. Enquanto os frigoríficos mantiverem suas escalas confortáveis e os pecuaristas não conseguirem segurar os animais — seja por falta de pasto ou por necessidade de caixa —, a pressão sobre a arroba deve persistir. Para os produtores, a equação é clara: ou vendem agora, com prejuízo, ou apostam em uma recuperação que, pelo menos no curto prazo, não tem data marcada para chegar.

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