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Angatuba sedia prova de avaliação genética que projeta a raça Canchim no Brasil e no exterior

Roberto Neves
15 de maio de 2026 às 08:28
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Angatuba sedia prova de avaliação genética que projeta a raça Canchim no Brasil e no exterior
Divulgação / Imagem Automática

A Fazenda Santo Antônio, do Grupo ILMA, em Angatuba (SP), se transformou no último dia 5 de maio em um palco estratégico para o futuro da pecuária tropical brasileira. O encerramento da Prova de Avaliação de Touros a Campo (PCAD ILMA) não foi apenas um marco técnico, mas um divisor de águas para a raça Canchim, reunindo um público de elite: criadores locais e internacionais, pesquisadores renomados, representantes de centrais genéticas de peso e uma comitiva de mais de 20 pecuaristas da Costa Rica, país que busca no Brasil soluções para sua pecuária.

Quando a genética vira negócio: o que realmente mudou na pecuária Canchim

A PCAD ILMA não nasceu como um evento de fachada. Segundo Adriano Lopes, responsável pela seleção genética do Canchim ILMA, o projeto é resultado de 14 anos de investimento contínuo em avaliação genética, desempenho a campo e parcerias com instituições como Embrapa, ANC, Associação Brasileira de Criadores de Canchim e PROMEBO. “Estamos construindo touros melhoradores”, afirmou Lopes, destacando que a prova se consolidou como uma das principais vitrines da raça no país por um motivo simples: ela mostra resultados concretos em campo.

Os números desse trabalho não são meras promessas. Nos últimos anos, a ILMA conseguiu desenvolver touros que não apenas atendem aos padrões de produtividade, mas também apresentam resistência a pragas como o carrapato — um dos maiores desafios da pecuária tropical. Além disso, os animais selecionados passaram por avaliações funcionais rigorosas, cruzamentos industriais testados e tecnologias de produção de embriões de alta performance, tudo com foco em sustentabilidade e rentabilidade.

O Brasil exporta genética: como a Costa Rica se tornou um player global

A presença da comitiva internacional não foi mera coincidência. A Costa Rica, conhecida por sua pecuária leiteira, enfrenta pressões para aumentar a produtividade sem perder a qualidade — e o Brasil, com seu domínio em genética tropical, oferece exatamente o que o país precisa. “Os criadores estrangeiros vieram aqui para entender como podemos adaptar essa genética às realidades deles”, explicou Lopes. “Não é apenas comprar touros ou sêmen, mas levar um modelo de seleção que já foi testado e aprovado no campo brasileiro.”

O evento também serviu como plataforma para o lançamento oficial do Projeto Genética: Touros, Sêmen e Embriões, uma iniciativa que promete ampliar a disseminação da raça Canchim não só no Brasil, mas também em mercados estratégicos. A ideia é simples: tornar a genética brasileira um produto de exportação, com foco em países que buscam alternativas para seus rebanhos.

A parceria que faz a diferença: quem são os aliados da revolução Canchim

O sucesso da PCAD ILMA não seria possível sem a colaboração de gigantes do setor. Além da Embrapa, que fornece suporte técnico e científico, a iniciativa contou com o apoio da ANC (Associação Nacional de Criadores), PROMEBO (Programa de Melhoramento de Bovinos de Corte), e de centrais genéticas como Alta Genetics, CRV Lagoa e Genex. O Instituto de Zootecnia e a Agrária Nutrição Animal também fizeram parte da rede de parceiros, mostrando que, quando se fala em inovação na pecuária, a união entre pesquisa, indústria e produtores é indispensável.

“Essa prova é um termômetro do que está acontecendo no setor”, afirmou um dos organizadores. “Não é só sobre mostrar animais bonitos, mas sim sobre demonstrar que, com trabalho sério e tecnologia, é possível produzir carne de qualidade de forma sustentável e economicamente viável.”

O futuro da raça: o que esperar daqui para frente

A PCAD ILMA 2026 não foi apenas um encerramento de ciclo, mas o início de uma nova fase para a raça Canchim. Com o lançamento do projeto de embriões e a internacionalização da genética brasileira, o setor ganha um novo fôlego. “O mercado está cada vez mais exigente”, avaliou Lopes. “Os criadores querem touros que não só produzam bem, mas que também sejam resistentes, adaptáveis e que deixem descendentes de alta performance.”

Para os pecuaristas da Costa Rica e de outros países interessados, o evento foi uma aula prática de como a genética pode ser um vetor de desenvolvimento. Já para os brasileiros, foi a confirmação de que, quando se investe em ciência, parcerias e campo, os resultados não demoram a chegar. O churrasco final, com carne Canchim servida aos participantes, não foi apenas um encerramento festivo, mas um símbolo do que essa raça representa: qualidade, inovação e futuro.

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