Padilha aponta custo social de R$ 38,8 bilhões anuais associado a apostas online
Ministro da Saúde detalha impactos financeiros e de saúde pública do vício em jogos eletrônicos, anunciando medidas de acolhimento para afetados.

Divulgação
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou um panorama preocupante sobre os efeitos do jogo online no Brasil, estimando um custo social anual de R$ 38,8 bilhões. A declaração ocorreu em meio ao anúncio de medidas para coibir a atuação de empresas de apostas no país, evidenciando a complexidade do tema e seus reflexos diretos na saúde pública e na economia.
Impactos financeiros e psicológicos detalhados
Padilha desmembrou o montante de R$ 38,8 bilhões em custos sociais, destacando R$ 17 bilhões atribuídos a mortes adicionais por suicídio, R$ 10,4 bilhões à perda de qualidade de vida decorrente da depressão e R$ 3 bilhões relacionados a tratamentos médicos para a mesma condição. O ministro classificou a proibição das apostas como uma "medida corajosa", mas ressaltou que os efeitos na saúde não cessarão de imediato, demandando atenção contínua e especializada.
Ludopatia e a busca por ajuda
Um dos pontos mais alarmantes levantados pelo ministro é o aumento de 15 vezes na mortalidade por suicídio entre indivíduos com ludopatia, o vício em apostas. Essa estatística alarmante está diretamente ligada às dificuldades financeiras enfrentadas pelos apostadores. Em resposta a esse cenário, mais de 1,3 milhão de brasileiros já buscaram a autoexclusão das plataformas de apostas, um serviço oferecido pelo governo. Um terço desses pedidos ocorreu durante a Copa do Mundo, período de intensa publicidade e estímulo a esse tipo de atividade.
O papel do SUS e o acolhimento aos afetados
Diante da magnitude do problema, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem atuado como porta de entrada para muitos que buscam ajuda. Cerca de 160 mil pessoas acessaram o autoteste para depressão através do serviço digital do SUS, indicando a necessidade de suporte. O governo planeja oferecer acolhimento específico para aqueles que mais apostaram, utilizando os dados disponíveis para direcionar os esforços. Curiosamente, o ministro apontou que, embora as mulheres não sejam o grupo que mais aposta online, elas são as que mais procuram os serviços médicos, incluindo teleatendimento, consultas com psiquiatras e psicólogos, demonstrando a abrangência dos impactos sociais e de saúde.
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