Nossa Senhora Aparecida vira palco de disputa eleitoral nas redes sociais
Suposto apoio de Flávio Bolsonaro à retirada de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil gera onda de reações e debates digitais, com implicações para o eleitorado católico em 2026.

Divulgação
Um debate digital intenso tomou conta das redes sociais e aplicativos de mensagens nesta sexta-feira, centrado em um suposto apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL) a uma proposta de retirar Nossa Senhora Aparecida do título de padroeira do Brasil. A discussão, que viralizou rapidamente, atingiu um pico de 735 menções a cada 100 mil mensagens nas redes sociais, segundo levantamento da empresa de inteligência digital Palver. O tema acionou a sensibilidade de diversos segmentos, especialmente o eleitorado católico, estratégico para as eleições presidenciais de 2026, e reativou a polarização entre diferentes campos religiosos.
Repercussão e Narrativas Digitais
A análise da Palver, que monitorou plataformas como Instagram, X, Facebook, TikTok, YouTube, WhatsApp e Telegram, indicou que a maior parte das menções, cerca de 73% nas redes sociais e 60% na mensageria, foram críticas ao senador Flávio Bolsonaro. Apenas 23% e 40%, respectivamente, expressaram apoio. O instituto aponta que a forte presença de grupos bolsonaristas na disseminação de desmentidos na mensageria contribuiu para esse cenário. A principal narrativa identificada foi a de indignação entre católicos, com pedidos de voto contra o senador, mobilizando aproximadamente 37% das mensagens classificadas.
Implicações Políticas e Beneficiados
A Palver avalia que a principal implicação política reside no risco de erosão do apoio católico à candidatura de Flávio Bolsonaro, mesmo após seu desmentido e a retratação da GloboNews, veículo que inicialmente veiculou a notícia. O senador é apontado como o principal prejudicado, enfrentando uma onda de desconfiança no campo católico. Em contrapartida, o PT e o campo governista foram identificados como os principais beneficiados pela narrativa, que reforçou o enquadramento de Flávio Bolsonaro como uma ameaça aos católicos. O boato, que tem origem em um projeto arquivado em 2008, ultrapassou bolhas partidárias e atingiu grupos religiosos de base, onde a correção factual tende a ser mais lenta e o impacto emocional mais duradouro.
Posicionamentos e Ações Judiciais
Flávio Bolsonaro negou veementemente o apoio à proposta, declarando respeito a todas as religiões e criticando a interferência do Estado na Igreja. Em resposta à repercussão, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, publicou um vídeo nas redes sociais defendendo as tradições católicas e garantindo a proteção dessas práticas sob o governo Lula. Paralelamente, o vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro André Mendonça, determinou a remoção imediata de publicações relacionadas à narrativa inverídica, reconhecendo a falsidade do núcleo factual sobre o envolvimento de Flávio Bolsonaro na proposta. A disputa pelo eleitorado católico em torno da figura de Nossa Senhora Aparecida não é inédita, tendo sido palco de debates eleitorais também em 2022, quando a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) criticou a "exploração da fé".
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