Operação Crédito Oculto mira sócio do Banco Genial em investigação sobre lavagem de dinheiro
Buscas pedidas pelo Gaeco cumprem 32 medidas em seis estados e no DF. Entre os 40 alvos estão Humberto Tupinambá, o empresário Mineiro e o Grupo Entre, dentro de uma investigação sobre ocultação patrimonial na máfia dos combustíveis.

Divulgação
Brasília – Equipes de promotores, policiais e auditores fiscais cumprem, na manhã desta quinta-feira, dia 24, 32 medidas de busca em 11 cidades de seis estados e no Distrito Federal. Batizada de Operação Crédito Oculto, a ação investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado à chamada máfia dos combustíveis e a possíveis conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Buscas atingem seis estados e o DF
Entre os 40 alvos estão o sócio-proprietário do Banco Genial Humberto Tupinambá e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, o Mineiro. O Grupo Entre também aparece na operação, apontado nas investigações como estrutura utilizada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para enviar US$ 12,33 milhões destinados ao financiamento de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
As buscas foram solicitadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e autorizadas pelo juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, da 2ª Vara Criminal de Catanduva. As diligências ocorrem em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e no Distrito Federal.
Investigação acompanha o rastro da Carbono Oculto
A Operação Crédito Oculto se apoia em provas recolhidas na primeira fase da Operação Carbono Oculto. Contratos, documentos, mensagens e áudios apreendidos em celulares e computadores indicam, segundo as investigações, um esquema destinado a dissimular recursos atribuídos aos empresários Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo.
O objetivo teria sido ocultar a participação dos dois na compra da distribuidora de combustíveis Terrana, empresa do Rio de Janeiro que chegou a figurar entre as dez maiores do país. O negócio pode ter custado até R$ 153 milhões. Beto Louco e Primo estão foragidos desde que tiveram a prisão decretada no Paraná durante a primeira fase da Carbono Oculto.
Fundos teriam ocultado imóveis milionários
O Gaeco também investiga o uso de fundos de investimentos para esconder a propriedade de imóveis de alto valor. A estratégia, segundo os investigadores, dava continuidade a um modelo anteriormente associado à Reag Investimentos, administradora de fundos suspeitos que foi liquidada pelo Banco Central após ações da Polícia Federal.
As apurações apontam nove fundos e 27 empresas envolvidos na arquitetura financeira. Os bens de 16 dessas companhias foram tornados indisponíveis pela 2ª Vara Criminal de Catanduva. A Terrana, cujo nome empresarial é Tobrás Distribuidora de Combustíveis, teve as atividades suspensas pela Justiça do Rio em 9 de julho.
Quando foi adquirida, em 2024, a distribuidora registrava faturamento mensal de R$ 445 milhões e capital social de R$ 245 milhões. À época, Beto Louco e Primo já respondiam aos efeitos da Operação Cassiopéia, voltada a fraudes no setor de combustíveis praticadas pela Copape, cuja autorização de funcionamento foi revogada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Compra teria usado empresas e nomes interpostos
Apontados como líderes da organização criminosa, Beto Louco e Primo teriam adquirido a Terrana por meio de uma estrutura montada com apoio de Humberto Tupinambá e do advogado Rogério Garcia Peres, sócio e fundador da Altinvest. Os investigadores atribuem a Garcia Peres o papel de operador do esquema de ocultação patrimonial.
Paulo Narcélio Simões do Amaral, executivo do mercado financeiro, também é alvo. Segundo o Ministério Público, ele teria concordado em emprestar o próprio nome a duas empresas utilizadas na compra da distribuidora e na ocultação de imóveis. A tese é que sua participação daria aparência de legitimidade ao negócio perante os vendedores e terceiros.
As investigações atribuem ao Banco Genial a oferta de uma estrutura financeira usada para mascarar a origem dos recursos e os verdadeiros proprietários da operação. Em contrapartida, a instituição teria sido remunerada por instrumentos contratuais formalmente constituídos para financiar a transação. A participação do banco e de seus representantes segue sob apuração.
Mensagens detalham pagamento e objetivo da fraude
Mensagens apreendidas no celular de Narcélio indicam que a ocultação buscava impedir que o grupo americano Tramp Oil, então proprietário da Terrana, e a ANP soubessem da participação de Beto Louco e Primo. A preocupação dos investigados estaria relacionada à manutenção de centenas de postos abastecidos pela organização, alguns dos quais seriam usados, segundo as investigações, para lavar dinheiro do tráfico de drogas.
Pelo apoio à operação, Narcélio receberia 0,75% do valor total e R$ 100 mil por mês durante três meses, período em que permaneceria à frente das holdings Branson e Berna. As investigações também identificaram estruturas envolvendo o Fundo Celebration, administrado pela Reag, e o Radford Fundo de Investimentos Multimercado, inicialmente gerido pela Altinvest e depois transferido para o Banco Genial.
Colaborações ampliam o acesso aos documentos
João Carlos Mansur, dono da Reag, firmou no início deste mês um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República. As defesas dos investigados foram procuradas, mas não apresentaram manifestação até a conclusão desta matéria. As acusações ainda serão analisadas pela Justiça, e os alvos têm garantia de ampla defesa e de presunção de inocência.
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