Chuvas fora de época elevam risco de dengue e chikungunya em Goiás
Chuvas atípicas e temperaturas elevadas favorecem a reprodução do Aedes aegypti em Goiás. O alerta ocorre enquanto o sorotipo DEN-3 passa a predominar e os casos de dengue e chikungunya crescem no estado.

Divulgação
As chuvas registradas fora de época em diferentes regiões de Goiás aumentam a preocupação com a dengue, a zika e a chikungunya. Combinadas com temperaturas elevadas e à influência do El Niño, as precipitações criam condições favoráveis para a eclosão dos ovos do Aedes aegypti e podem antecipar o período de maior transmissão das arboviroses.
Chuvas antecipam reprodução do mosquito
O acúmulo de água em recipientes, calhas entupidas, pneus, embalagens e outros objetos descartados irregularmente pode acelerar o ciclo do mosquito. Por isso, o risco não está apenas no volume de chuva, mas também na frequência com que os imóveis são vistoriados e na rapidez com que possíveis criadouros são eliminados.
Sorotipo DEN-3 passa a predominar
A vigilância laboratorial identifica uma mudança importante na circulação da dengue em Goiás. Embora os sorotipos DEN-1 e DEN-2 tenham predominado nos últimos anos, o DEN-3 já representa 53,8% das amostras positivas monitoradas em 2026. O DEN-2 aparece com 45,8%.
O avanço do DEN-3 contrasta com anos anteriores. Em 2025, o DEN-2 correspondia a 87,4% das amostras analisadas. Em 2024, sua participação era de 74,7%, enquanto o DEN-1 respondia por 25,2%. Já em 2023, o DEN-1 concentrava 95,4% das análises.
A alteração amplia a parcela da população suscetível à infecção. Pessoas que já tiveram contato com outros sorotipos desenvolveram imunidade específica contra eles, mas essa proteção não necessariamente vale para o DEN-3. A maior circulação desse sorotipo pode resultar em mais casos e elevar o risco de manifestações graves e mortes.
Estado registra aumento de casos e mortes
Goiás contabiliza 158.461 notificações e 103.213 casos confirmados de dengue em 2026, volume 16% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Foram confirmadas 81 mortes, enquanto outras 31 permanecem sob investigação.
A chikungunya também apresenta crescimento expressivo. O estado soma 13.317 notificações e 11.223 confirmações, alta de 356% na comparação anual. Cinco mortes provocadas pela doença foram confirmadas em 2026.
Prevenção deve fazer parte da rotina
A principal medida continua sendo a eliminação de locais que acumulam água. Pneus, embalagens e materiais sem utilidade devem ser recolhidos e descartados corretamente. Baldes, pratos de vasos, recipientes para animais e outros depósitos precisam permanecer limpos, secos ou bem tampados.
Após as chuvas, é recomendável limpar calhas e quintais, retirar resíduos de terrenos e verificar lotes abandonados. Quando houver armazenamento de água, os recipientes devem ficar vedados. Também é necessário lavar com água e sabão as bordas dos objetos, pois os ovos do mosquito podem permanecer aderidos mesmo quando não há água visível.
No fim de agosto, a Secretaria de Estado da Saúde enviou orientações aos municípios sobre ondas de calor, baixa umidade, queimadas e incêndios florestais. O conjunto de riscos reforça a necessidade de acompanhamento permanente das condições climáticas e de ações rápidas de prevenção em todo o estado.
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