Caiado critica uso político da fé e defende tolerância religiosa
Em meio à repercussão de falsas alegações envolvendo Nossa Senhora Aparecida, o candidato à Presidência Ronaldo Caiado criticou o que chamou de 'enfrentamento político-religioso' e defendeu que disputas eleitorais não sejam levadas para o campo da fé. Ele também teceu críticas a decisões recentes do governo federal.

Divulgação
Goiânia se tornou palco para as declarações do candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado, que, neste domingo, criticou veementemente a escalada do que denominou 'enfrentamento político-religioso' na reta final da campanha eleitoral. A manifestação ocorreu após a participação em uma missa na Paróquia Nossa Senhora Aparecida e Santa Edwiges, na capital goiana, local escolhido para uma agenda estratégica em meio à polêmica sobre a padroeira do Brasil.
As afirmações de Caiado chegam em um momento de intensa repercussão nas redes sociais, impulsionada por falsas alegações que associaram o senador Flávio Bolsonaro (PL) a uma suposta iniciativa para despojar Nossa Senhora Aparecida de seu título de padroeira do Brasil. O candidato do PL já havia negado qualquer envolvimento com tal medida, mas o boato continuou a circular, alimentando tensões.
Caiado, que se declarou católico praticante e afilhado de Nossa Senhora das Graças, enfatizou a importância da fé como alicerce para superar dificuldades. 'Eu aprendi que é na fé que você supera todas as suas dificuldades', afirmou. Ele expressou preocupação com o ambiente de intolerância que, segundo ele, tomou conta da campanha, reforçando a necessidade de respeito a todas as religiões e o direito de escolha individual. 'Nós não podemos, de maneira nenhuma, politizar esse processo e muito menos caminhar para um lado de enfrentamento', pontuou, destacando o papel do Estado em garantir a liberdade religiosa e repudiando qualquer tentativa de restrição a opções de crença.
Para o presidenciável, o cenário de hostilidade transcendeu os limites da disputa política legítima. 'O ódio está dominando um segmento da sociedade brasileira, está distorcendo totalmente o bom senso, o equilíbrio de uma campanha eleitoral, da convivência entre as pessoas', lamentou. Caiado revelou ter aproveitado a missa para fazer um pedido de pacificação e redução das tensões, rogando a Deus para que 'aliviasse o coração dessas pessoas que estão vivendo este momento de ódio', classificando a situação como triste e deprimente.
A controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida
A polêmica ganhou força após uma declaração em um programa de televisão, que mencionou a existência de um movimento de setores evangélicos para alterar a condição da santa como padroeira do Brasil. Embora a fala não atribuísse a iniciativa a Flávio Bolsonaro, a informação rapidamente foi associada ao candidato nas redes sociais. Posteriormente, o veículo de comunicação esclareceu que o projeto com esse objetivo havia sido apresentado em 2007 e arquivado no ano seguinte.
A dimensão da repercussão nas redes sociais na reta final das eleições foi significativa. Um levantamento do Instituto Democracia em Xeque (IDX), divulgado no sábado, apontou impressionantes 977,6 mil publicações sobre o tema em apenas 55 horas, gerando mais de 8,5 milhões de interações. No sábado anterior, Caiado já havia se manifestado sobre o episódio em suas redes, expressando sua dor como católico e devoto ao 'ver alguém querer apagar Nossa Senhora Aparecida da história do Brasil', reafirmando que 'Ninguém vai arrancar Nossa Senhora do coração do povo brasileiro'.
Críticas à gestão federal na reta final
Na mesma agenda, Ronaldo Caiado não poupou o governo federal, classificando como 'oportunista' a recente decisão do presidente Lula de proibir as plataformas de apostas online, conhecidas como 'bets'. Caiado argumentou que, se eleito, não baniria as plataformas, mas adotaria uma regulamentação mais rigorosa, com foco em ações educativas, restrições à publicidade e medidas para mitigar os impactos do jogo na saúde dos usuários. Ele afirmou ser 'avesso a jogo' e citou sua postura como governador de Goiás, onde não autorizou loterias.
O candidato também criticou o tom da reta final da campanha presidencial, que, em sua visão, é marcada por antagonismo e pela escolha do 'rejeitado preferido', sem construir nada de positivo para o país. 'Se governa pacificando, se governa aglutinando', defendeu. As críticas ao governo Lula se estenderam ao anúncio do Desenrola Brasil 3.0, que Caiado qualificou nas redes sociais como 'a mesma mentira maquiada para tentar vender ilusão a quem está endividado', acusando o presidente de agir 'no desespero' e de prejudicar o trabalhador.
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