Sport venceu o Flamengo em 87 sem apostas, diz Agu
Jorge Messias, Advogado-Geral da União, usou o título histórico do clube pernambucano para defender um futebol menos dependente de apostas esportivas, em evento no Palácio do Planalto.

Divulgação
O Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, trouxe à tona um dos capítulos mais emblemáticos do futebol brasileiro para defender um modelo esportivo mais puro e menos influenciado pelas apostas. Em cerimônia realizada no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (1º), para formalizar um acordo sobre o Centro de Treinamento Rei Pelé, do Santos, Messias relembrou a vitória do Sport Club do Recife sobre o Flamengo em 1987, destacando que o feito ocorreu em uma época anterior à proliferação das apostas esportivas.
Um título histórico como argumento
A declaração do AGU não foi aleatória. Ele utilizou o episódio para sustentar sua visão de um futebol que priorize o desenvolvimento de atletas, o fortalecimento das categorias de base e a promoção de ações sociais, distanciando-se da influência direta das casas de apostas. "Quando o meu Sport foi campeão em 87 contra o Flamengo da Esther, não tinha bet", afirmou Messias, em uma referência bem-humorada à ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, declaradamente torcedora do clube carioca. A menção ao título de 1987, que é objeto de uma longa disputa judicial e histórica, serviu como um poderoso exemplo de conquistas esportivas alcançadas antes da era das apostas online.
A controvérsia do Brasileirão de 1987
O Campeonato Brasileiro de 1987 é, de fato, um marco de divergências. O Sport é oficialmente reconhecido pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como o campeão daquele ano, mas a questão se arrasta há décadas. A controvérsia se iniciou devido à divisão do campeonato em dois módulos. Enquanto Flamengo e Internacional venceram o Módulo Verde, Sport e Guarani lideraram o Módulo Amarelo. O regulamento previa um quadrangular final entre os dois melhores de cada grupo, mas a participação de Flamengo e Internacional foi negada, abrindo caminho para que o Sport se sagrasse campeão. O caso chegou a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que em 2017 e novamente em 2024, manteve a decisão de reconhecer o Sport como único campeão brasileiro daquele ano, negando recursos do Flamengo.
Futebol de glórias e a busca por um futuro sem apostas
Messias estendeu seu argumento ao citar o pentacampeonato mundial da seleção brasileira, ressaltando que o futebol nacional construiu sua história e conquistou seus maiores feitos sem a necessidade de patrocínios ou financiamentos provenientes das apostas esportivas. "Quando nós fomos pentacampeões, nós não precisávamos de bets para financiar o futebol brasileiro", declarou. O Ministro do Esporte, Paulo Henrique, também presente na cerimônia, ecoou essa preocupação, enfatizando que o futebol deve ser um vetor de desenvolvimento social "sem a contaminação das bets". A discussão se insere em um contexto mais amplo de debates sobre a regulamentação e os impactos das apostas esportivas no esporte brasileiro.
Acordo para o CT Rei Pelé
O evento em si marcou a assinatura de um acordo crucial entre o governo federal e o Santos Futebol Clube, que visa regularizar o uso do terreno onde está localizado o CT Rei Pelé, em Santos (SP). O imóvel, que pertence à União, terá seu uso cedido ao clube em regime de cessão onerosa por um período de 20 anos, com a possibilidade de renovação. Segundo a ministra Esther Dweck, a negociação foi concluída em apenas dois meses na Câmara de Conciliação e Arbitragem da Administração Federal, após questionamentos do Ministério Público Federal em 2017 sobre uma cessão anterior não onerosa.
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