Presidente do Cuiabá pede punição esportiva a clubes inadimplentes
Cristiano Dresch defende que clubes com dívidas sejam punidos com perda de pontos no Campeonato Brasileiro. O dirigente considera insuficientes medidas como o bloqueio de contratações e cita valores superiores a R$ 40 milhões cobrados pelo Cuiabá de outras equipes.

Divulgação
O presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch, voltou a defender mudanças nas regras financeiras do futebol brasileiro. Para o dirigente, clubes inadimplentes precisam enfrentar punições esportivas mais duras, incluindo a perda de pontos no Campeonato Brasileiro, em vez de depender apenas de bloqueios de transferência e outras sanções administrativas.
Perda de pontos como pressão por regularização
Dresch avalia que a chamada transfer ban não é suficiente para forçar a quitação de débitos. Segundo ele, a retirada de pontos poderia pressionar os clubes a regularizar suas contas e evitar que compromissos financeiros se arrastuem por anos sem consequências competitivas proporcionais.
O dirigente também questionou a possibilidade de equipes endividadas continuarem contratando jogadores e aumentando suas folhas salariais enquanto mantêm dívidas com outros clubes. Ao comentar o tema, ele usou a expressão “estelionato esportivo” para classificar a situação e citou Santos, Vasco e Botafogo como exemplos de agremiações que, em sua avaliação, enfrentam pendências financeiras sem impactos esportivos suficientes.
Ao mencionar o Santos, Dresch destacou as contratações de Arthur e Cebolinha. Para o presidente do Cuiabá, a chegada de reforços enquanto existe uma dívida em aberto reforça a necessidade de regras mais rígidas e de uma aplicação mais rápida das decisões dos órgãos responsáveis pelo futebol.
Santos é condenado a pagar R$ 18,6 milhões
A cobrança ganhou novo capítulo após a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) condenar o Santos a pagar R$ 18.616.377,46 ao Cuiabá. O valor está relacionado à negociação do zagueiro Joaquim, contratado pelo clube paulista em fevereiro de 2023.
Depois, o Santos negociou Joaquim com o Tigres, do México, em julho de 2024. De acordo com o Cuiabá, houve uma renegociação para facilitar o pagamento da dívida, com parcelamento em cinco prestações. A equipe mato-grossense afirma, porém, que apenas a primeira parcela foi quitada.
O Cuiabá acionou a CNRD em maio de 2025. O Santos ainda pode recorrer ao Centro Brasileiro de Mediação e Arbitragem (CBMA). Em nota, o clube afirmou que o assunto está sendo tratado nos fóruns institucionais competentes e que a exposição pública do caso não contribui para a solução. A equipe também reafirmou o compromisso com o cumprimento de suas obrigações financeiras e com os princípios de responsabilidade e equilíbrio do Fair Play Financeiro da CBF.
Créditos contra outros clubes passam de R$ 40 milhões
O caso do Santos não é o único débito cobrado pelo Cuiabá. Segundo levantamento divulgado pelo clube, os créditos contra diferentes equipes brasileiras ultrapassam R$ 40 milhões. Entre os devedores estão Corinthians, Sport e Grêmio.
O Corinthians tem uma dívida relacionada à contratação do volante Raniele. O débito foi incluído pela CNRD em um plano coletivo de 24 parcelas trimestrais, com pagamentos previstos até 2031. O Cuiabá informou que uma parcela vencida em julho permanece em aberto e, em setembro, pediu novas medidas contra o clube paulista após o não pagamento dentro do prazo anunciado.
O Sport deve cerca de R$ 6 milhões pela contratação do lateral-direito Matheus Alexandre. Já o Grêmio possui uma pendência de aproximadamente R$ 900 mil, cuja inclusão em um plano coletivo ainda aguardava julgamento.
Cobrança ocorre durante disputa da Série B
A disputa pelos valores acontece enquanto o Cuiabá busca o acesso à Série A. O clube afirma que os recursos não recebidos comprometem seu fluxo de caixa e defende maior agilidade na execução das decisões dos órgãos do futebol brasileiro.
Segundo a equipe mato-grossense, os débitos decorrem do descumprimento de contratos firmados com outros clubes. O Cuiabá informou que continuará utilizando os mecanismos previstos nas regras esportivas para cobrar as quantias consideradas devidas.
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