Corinthians e Caixa avançam em negociação sobre dívida da Neo Química Arena
Corinthians e Caixa Econômica Federal discutem alternativas para equacionar uma dívida de R$ 642 milhões referente à Neo Química Arena. Entre as possibilidades estão a revisão das condições do financiamento e a cessão dos direitos de nome do estádio ao banco.

Divulgação
O Corinthians e a Caixa Econômica Federal deram novos passos nas negociações sobre a dívida vinculada à Neo Química Arena. Dirigentes alvinegros estiveram em Brasília para se reunir com representantes da instituição financeira e avaliar caminhos capazes de reduzir a pressão sobre as contas do clube.
Dívida de R$ 642 milhões exige solução estruturada
As conversas giram em torno de um débito de R$ 642 milhões, originado do financiamento usado na construção do estádio, em Itaquera. O presidente Osmar Stabile e o diretor jurídico Pedro Soares comandam as tratativas pelo lado corintiano.
Uma das alternativas estudadas prevê a alteração de condições do financiamento, com ajustes que possam tornar o pagamento mais compatível com a realidade financeira do Corinthians. Outra possibilidade é a transferência dos direitos de nome da arena para a Caixa, hoje vinculados à Hypera Pharma.
Valor de mídia sustenta proposta sobre naming rights
O clube estima que a Neo Química Arena gere aproximadamente R$ 300 milhões por ano em exposição de mídia, com base nos números de 2025. A avaliação corintiana considera esse montante superior ao previsto no acordo firmado em 2020, o que fortalece a discussão sobre a participação da Caixa no naming rights do estádio.
Recursos retidos também entram na negociação
O contrato de financiamento autoriza a Caixa a reter até 50% de premiações e outros valores recebidos pelo Corinthians. O mecanismo funciona como uma reserva para cobrir eventual inadimplência das parcelas. Atualmente, cerca de R$ 27 milhões estão bloqueados em uma conta secundária do clube. Em 2026, o Corinthians já repassou aproximadamente R$ 50 milhões à instituição financeira.
Os estudos apresentados ao clube pelo perito criminal Anísio Costa Castelo Branco não fazem parte das tratativas em curso. O material motivou a abertura de um procedimento pelo Ministério Público de São Paulo para apurar um possível erro em pagamentos realizados pelo Corinthians à Caixa.
Déficit amplia pressão sobre as finanças
Um acordo sobre a dívida da Neo Química Arena poderia mudar o cenário financeiro do Corinthians, que enfrenta dificuldades em 2026. Nos primeiros seis meses do ano, o clube registrou déficit de R$ 246,039 milhões, enquanto sua dívida total permanece próxima de R$ 2,8 bilhões.
O resultado ficou mais de R$ 100 milhões acima da projeção inicial, que estimava prejuízo de R$ 138 milhões no semestre. A falta de receitas com vendas de atletas pesou no balanço. O orçamento previa entrada líquida de 25 milhões de euros, aproximadamente R$ 144 milhões, com negociações de direitos federativos. Desse total, metade deveria ser recebida até junho.
Direitos de imagem seguem atrasados
A instabilidade financeira também afetou os pagamentos ao elenco. A diretoria ainda não quitou os direitos de imagem com vencimento em 20 de setembro, deixando duas parcelas em aberto. Prêmios e férias também permanecem pendentes. Valores registrados na carteira de trabalho foram pagos com atraso, pouco antes da eliminação para o Estudiantes, da Argentina, nas quartas de final da Libertadores.
No Campeonato Brasileiro, o Corinthians enfrenta o Internacional em 7 de outubro, às 19h30. Depois, pega o Palmeiras em 11 de outubro, às 17h30, e recebe o Vitória em 18 de outubro, às 17h. A sequência será acompanhada em meio à busca por uma solução definitiva para a dívida do estádio.
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