Flamengo aprova reforma para profissionalizar gestão do clube
Conselho Deliberativo aprova novo estatuto com 92,39% dos votos e cria diretoria remunerada, separando funções de governança, supervisão e execução sem transformar o clube em SAF.

Divulgação
O Flamengo aprovou uma ampla reforma estatutária destinada a profissionalizar a gestão do clube. Na sessão realizada nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, o Conselho Deliberativo registrou 643 votos favoráveis, equivalentes a 92,39% do total. Houve 47 votos contrários e seis abstenções.
Mudança na estrutura administrativa
A aprovação representa uma das maiores alterações na organização administrativa do Flamengo desde a criação do estatuto vigente, em 1992. O texto foi preparado por uma comissão permanente e apresentado pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o BAP, em junho de 2026.
O novo modelo separa as funções de governança, supervisão e execução. A administração cotidiana deixará de ser conduzida apenas por dirigentes ligados às vice-presidências tradicionais e passará a contar com uma diretoria profissional, integrada por executivos remunerados e escolhidos com base em critérios técnicos.
Diretor-Geral e Diretor de Futebol
A estrutura prevê dois cargos centrais. O Diretor-Geral ficará responsável pela gestão corporativa, enquanto o Diretor de Futebol comandará o futebol profissional e as categorias de base. Com a mudança, as antigas vice-presidências específicas serão extintas.
Também será criado o Conselho Gestor, conhecido como Coge, responsável por supervisionar a diretoria profissional. O órgão será composto pelo presidente e pelo vice-presidente do Flamengo, pelo Procurador-Geral e por nove a 12 integrantes nomeados pelo presidente, com mandato de três anos.
Supervisão estratégica e poderes da presidência
O Coge deverá avaliar estratégias, metas, indicadores, riscos, estrutura organizacional e gestão de pessoas. Ao mesmo tempo, o novo estatuto mantém e organiza poderes de aprovação e veto da presidência em diferentes decisões, especialmente naquelas relacionadas ao futebol.
A concentração de atribuições no comando do clube foi o principal ponto de resistência entre conselheiros contrários à proposta. Para esse grupo, o modelo poderia reduzir a transparência e ampliar o controle de BAP sobre a instituição. Os defensores da reforma sustentam que o estatuto de 1992 está defasado e que a mudança é necessária para modernizar a administração.
Planejamento de longo prazo
A reforma determina que o orçamento anual seja elaborado em conjunto com um planejamento de três anos e uma projeção de cinco anos. O processo deverá incluir indicadores de desempenho institucional, criando parâmetros para acompanhar resultados e responsabilizar gestores.
O texto também altera regras sobre nepotismo e estabelece restrições para que associados que tenham ocupado cargos eletivos ingressem na estrutura profissional. A medida busca ampliar a separação entre funções políticas e executivas dentro do clube.
A mudança não transforma o Flamengo em uma Sociedade Anônima do Futebol. A instituição continuará organizada como associação civil, preservando seus mecanismos de participação e fiscalização. O próximo desafio será implementar o novo modelo e demonstrar, na prática, se a profissionalização trará mais eficiência, transparência e continuidade administrativa.
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