Estêvão enfrenta pressão no Chelsea com chegada de Xabi Alonso
Atacante brasileiro vê concorrência aumentar no clube londrino com reforços e estilo de jogo do treinador espanhol, enquanto analisa cenário semelhante vivido por Vinicius Jr. no Real Madrid.

O atacante brasileiro Estêvão iniciou a temporada 2026/27 no Chelsea com uma nuvem de incerteza sobre seu espaço no elenco comandado por Xabi Alonso. Após perder a reta final da campanha anterior — e a chance de disputar a Copa do Mundo — por conta de uma lesão na coxa direita, o jogador confidenciou a pessoas próximas que teme receber poucas oportunidades com o novo treinador espanhol.
Começo de temporada reforça preocupações
Os primeiros jogos da temporada confirmaram a apreensão. Estêvão entrou apenas nos sete minutos finais da estreia contra o Fulham na Premier League, ganhou a chance de ser titular na Copa da Liga Inglesa e, na sequência, não saiu do banco na vitória por 4 a 3 sobre o Brighton. Mesmo assim, o brasileiro mantém o desejo de permanecer em Londres e promete avaliar sua situação nos próximos meses, sem descartar uma possível mudança em janeiro.
Concorrência acirrada nas posições ofensivas
Xabi Alonso, que assumiu o comando técnico do Chelsea após uma rápida passagem pelo Real Madrid, ainda está moldando o time. Em apenas três partidas — duas pela Premier League e uma pela Copa da Liga —, o treinador já demonstrou preferências que impactam diretamente Estêvão. O brasileiro atua com mais naturalidade como segundo atacante central, mas enfrenta concorrentes como Cole Palmer e Morgan Rogers, este último a contratação mais cara do clube na última janela.
Palmer, que já ocupa um papel de protagonismo e veste a camisa 10, lidera a disputa pelo centro do ataque. Rogers, por sua vez, chegou para somar no setor ofensivo, enquanto Pedro Neto, que atua como ala direito no sistema de Alonso, fecha ainda mais o espaço. A possibilidade de Estêvão ser deslocado para o lado direito do ataque surge como alternativa, mas o jogador não vê essa solução com bons olhos.
Mudança de posição não agrada ao atacante
O brasileiro valoriza características como mobilidade, aceleração e capacidade de atuar entre as linhas, elementos que poderiam ser prejudicados caso fosse obrigado a se adaptar à função de ala. Estêvão entende que teria de aumentar sua massa muscular para atender às demandas físicas da posição, o que, segundo ele, poderia comprometer suas principais virtudes. Por isso, a hipótese de uma mudança radical de posição não está nos planos do atacante no momento.
Ainda assim, o jogador não cogita deixar o Chelsea de imediato. Satisfeito com o clube, Estêvão acompanhará de perto a quantidade de minutos que receberá até o final do ano. Caso a situação não se resolva na primeira metade da temporada, a reabertura do mercado em janeiro poderá ser decisiva para definir seus próximos passos.
Vinicius Jr. viveu situação semelhante no Real Madrid
A trajetória de Estêvão ganha um paralelo com a de Vinicius Júnior, que também enfrentou uma redução nos minutos iniciais sob o comando de Xabi Alonso — primeiro no Real Madrid e, agora, também no Chelsea. Quando o espanhol assumiu o clube merengue na temporada 2025/26, Vini, que vinha de uma temporada com 87% de participação (4.177 minutos em 4.800 possíveis), viu seu tempo de jogo cair para 78% nos primeiros 19 jogos de Alonso.
Nas primeiras 19 partidas com o novo treinador, Vinicius disputou 1.334 dos 1.710 minutos possíveis, começou três jogos no banco e foi substituído em 12 oportunidades. Em nove dessas substituições, deixou o campo antes dos 35 minutos do segundo tempo. A situação chegou a gerar insatisfação pública, como no jogo contra o Barcelona, quando o brasileiro demonstrou irritação ao ser substituído, embora tenha depois reconhecido o exagero na reação.
Apesar do início conturbado, Vini conseguiu reverter a situação e terminou a temporada 2025/26 com 36 jogos na La Liga, 32 deles como titular e 2.815 minutos disputados. Isso mostra que, mesmo com um começo difícil, a adaptação pode ocorrer ao longo do tempo.
Janeiro pode definir o futuro de Estêvão no Chelsea
Adquirido por 61,5 milhões de euros (cerca de R$ 358 milhões na cotação da época), Estêvão já disputou 38 jogos pelo Chelsea, com oito gols e três assistências. O atacante, no entanto, não trata uma possível saída como prioridade e espera conquistar seu espaço nos próximos meses. A primeira metade da temporada será crucial para definir seu papel no projeto do treinador.
Se Xabi Alonso mantiver Palmer, Rogers e Neto como opções prioritárias no ataque, a situação de Estêvão pode se tornar insustentável. Até lá, o brasileiro terá a chance de mostrar ao técnico que merece uma oportunidade maior, mesmo em um elenco com tanta concorrência. A janela de janeiro, tradicionalmente um período de mudanças, poderá ser o momento definitivo para Estêvão — ou para o Chelsea — tomar uma decisão.



