Vitor Cadillac defende retomada de redes e coletivos na área cultural
Durante a 1ª Arte Pensante, em Goiânia, o produtor Vitor Cadillac avaliou que a fragmentação e a lógica de entregáveis enfraquecem a mobilização do setor. Ele defendeu a reconstrução de redes, coletivos e projetos políticos coletivos para ampliar as conquistas da cultura.

Divulgação
Vitor Cadillac defende união do setor cultural
O articulador político-cultural, comunicador e produtor Vitor Cadillac defendeu a retomada das redes e dos coletivos como caminho para fortalecer a cultura em Goiás. Durante a 1ª Arte Pensante, roda de conversa sobre políticas para o setor artístico, ele destacou que os avanços conquistados pela classe nas últimas décadas resultaram da capacidade de organização e da construção de relações para além dos trabalhos individuais.
O encontro ocorreu em 17 de setembro, na Galeria Aberta – Elysium Sociedade Cultural, no Setor Sul, em Goiânia, e foi promovido pelo jornal A Redação. Em sua fala, Cadillac lembrou que a articulação entre artistas, produtores e movimentos culturais foi decisiva para pressionar o poder público e consolidar políticas de incentivo ao setor.
Políticas públicas e geração marcada pela mobilização
Cadillac recordou o período entre 2003 e 2013, quando foram criadas e implementadas diversas políticas públicas, inclusive na área da cultura. Segundo ele, aquela geração viveu um momento de maior abertura política e social, com espaço para imaginar novos modelos de sociedade e transformar demandas coletivas em propostas concretas.
“Se a classe cultural avançou o que conseguiu avançar na exigência das políticas públicas, na construção de redes e de coletivos, isso se deve sobretudo às relações que temos uns com os outros para além dos nossos trabalhos”, afirmou. Para o produtor, esse sentimento de pertencimento e atuação conjunta precisa ser recuperado diante dos desafios atuais enfrentados pelos trabalhadores da cultura.
Fragmentação enfraquece a ação política
Ele criticou o que chamou de uma era “muito atomizada”, marcada por profissionais concentrados principalmente em editais, prestação de contas e entrega de projetos. Na avaliação de Cadillac, a excessiva preocupação com entregáveis pode limitar a capacidade de criação política e reduzir o interesse pela formação de coletivos e redes permanentes de atuação.
“Onde deixamos de lado os nossos desejos e a nossa capacidade de imaginação política?”, questionou. A provocação resume o principal alerta apresentado durante o debate: a cultura não pode ser compreendida apenas como execução de projetos isolados, mas como um campo de construção coletiva, capaz de influenciar políticas públicas e ampliar o acesso da sociedade à produção artística.
Setor precisa reconstruir projetos comuns
Para Cadillac, superar a fragmentação exige reencontrar espaços de diálogo, fortalecer laços de confiança e organizar demandas comuns. A retomada de redes e coletivos é apresentada como uma estratégia para enfrentar a desmobilização e重新 construir um ambiente no qual artistas possam atuar de forma integrada, sem abrir mão da diversidade de linguagens e trajetórias presentes no cenário cultural goiano.
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