Bulacha defende ação contínua e mais engajamento dos artistas em Goiânia
Durante a Arte Pensante, em Goiânia, Bulacha destacou a importância das políticas públicas para a cultura, mas defendeu que artistas e coletivos mantenham suas atividades mesmo sem verba imediata. Ele citou 27 anos de carreira, mais de 50 eventos realizados por um coletivo independente e 247 ações no Beco da Codorna.

Divulgação
O artista visual Bulacha defendeu maior engajamento da classe artística e uma postura mais prática diante dos desafios do setor cultural durante a primeira edição da Arte Pensante, realizada em Goiânia. O encontro, dedicado ao debate sobre políticas para artistas, reuniu representantes da área na Galeria Aberta – Elysium Sociedade Cultural, no Setor Sul.
Trajetória marcada pela periferia e pelo hip hop
Ao relembrar sua trajetória, Bulacha destacou que o acesso à cultura foi decisivo para construir novas possibilidades de vida. Artista da periferia, ele citou o movimento hip hop como uma das principais referências de sua formação e afirmou ser fruto das políticas públicas, especialmente por terem aberto caminhos para o desenvolvimento de sua carreira.
Apesar de defender a ampliação e a continuidade dos mecanismos de apoio à cultura, Bulacha ressaltou que artistas e coletivos não devem paralisar suas ações até que os recursos cheguem. Para ele, a mobilização independente precisa caminhar junto com a reivindicação por políticas públicas mais eficientes e permanentes.
Coletivo independente realizou mais de 50 eventos
Bulacha contou que integra um coletivo independente que atua sem estrutura formal de marca e mesmo assim já promoveu mais de 50 eventos em Goiânia, São Paulo e Tocantins. Segundo o artista, a forma de organização do grupo chama atenção até mesmo de pessoas de outros estados, interessadas em compreender como as ações são realizadas sem dependência direta de verba pública.
Com 27 anos de carreira, ele disse viver da arte diariamente e não exercer outra atividade profissional. Nesse período, participou de três editais, trajetória que usa para mostrar a importância dos instrumentos públicos de fomento, mas também para defender que a produção cultural precisa ter continuidade independentemente da aprovação de projetos.
Atuação no Beco da Codorna enfrenta desafios diários
O artista também falou sobre sua atuação em um espaço cultural no Beco da Codorna, em Goiânia. Ele descreveu o local como um território de luta cotidiana e relatou os desafios para manter a programação artística em meio a conflitos com usuários de drogas e às dificuldades de ocupação do espaço.
Mesmo com esses obstáculos, Bulacha informou que 247 eventos já foram realizados no local de forma independente, sem recursos de editais. O número reforça o principal ponto de sua fala: políticas públicas são fundamentais para ampliar o acesso à cultura, mas a organização coletiva e a persistência dos artistas também exercem papel central na manutenção da cena artística.
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