Porsche anuncia demissão de 9.000 funcionários e desinvestimento em marcas de luxo para focar em rentabilidade
A montadora alemã Porsche anunciou um plano de reestruturação que inclui a demissão de 9.000 funcionários e a venda de participações em marcas como Bugatti Rimac e Rimac. O objetivo é otimizar custos, simplificar operações e garantir a rentabilidade em um cenário de vendas globais em potencial declínio, especialmente no mercado chinês.

Divulgação
A Porsche está promovendo uma profunda reestruturação em suas operações globais com o objetivo de aumentar sua margem de lucro por veículo vendido. O plano ambicioso prevê a eliminação de 9.000 postos de trabalho e a venda de participações acionárias nas prestigiadas marcas Rimac e Bugatti Rimac. Essas medidas fazem parte de uma nova estratégia apresentada aos investidores, que visa reduzir o ponto de equilíbrio financeiro da companhia, permitindo que a montadora mantenha seus níveis de rentabilidade mesmo com uma queda nas vendas globais para menos de 200.000 unidades anuais.
Fim de negócios secundários e foco em eletrificação
A decisão de se desfazer de participações em empresas como Rimac e Bugatti Rimac marca o fim de uma parceria que foi crucial para o desenvolvimento inicial de tecnologias elétricas pela Porsche. Além disso, a montadora encerrará atividades em negócios secundários que não apresentaram o retorno financeiro esperado, como o Cellforce Group, focado no desenvolvimento de baterias de alta performance, e a Porsche eBike Performance, voltada para bicicletas elétricas. A subsidiária de consultoria gerencial, MHP, também está sendo negociada, e a divisão de software Cetitec será descontinuada. O foco agora se volta para a eletrificação da linha de veículos e o desenvolvimento de modelos de altíssimo valor agregado, posicionados acima do icônico 911.
Otimização da cadeia produtiva e administrativa
A reestruturação terá um impacto significativo na cadeia produtiva na Alemanha, com a eliminação de 9.000 empregos. Em contrapartida, a diretoria se comprometeu a preservar os empregos da força de trabalho principal até 2035. A meta é reduzir o quadro global de colaboradores em até 30% no médio prazo, com as fábricas sendo as áreas mais afetadas, visando uma redução de até 30% nas despesas com pessoal industrial. A montadora buscará maior flexibilidade nas linhas de montagem para produzir diferentes modelos de forma integrada. No âmbito administrativo, 40% dos cargos de gestão executiva serão extintos, com o objetivo de simplificar a estrutura organizacional e agilizar a tomada de decisões. As divisões de engenharia Porsche Engineering e Porsche Digital serão unificadas na nova Porsche Technologies, visando reduzir custos de desenvolvimento em até 20%. A cadeia de suprimentos também sentirá o aperto, com a meta de economizar 10% no custo de materiais para novos projetos, incentivando o uso de componentes compartilhados com Volkswagen e Audi.
Reorganização da rede de vendas e garantia de rentabilidade
O esforço de otimização de custos se estende à rede de distribuição logística, com a expectativa de reduzir os custos operacionais de vendas em 20% nos próximos anos. Isso será alcançado através de uma reestruturação administrativa que diminuirá os polos logísticos continentais de cinco para quatro, visando aumentar a eficiência na relação com concessionários. Processos digitais de menor custo serão implementados para os revendedores, agilizando o faturamento e reduzindo a necessidade de grandes estoques. A estratégia financeira atual estabelece um retorno operacional de 15% sobre as vendas e uma margem de fluxo de caixa de 12% na divisão automotiva, patamares superiores aos de montadoras generalistas. Em contrapartida, os funcionários que permanecerem na empresa poderão ver seus bônus e pagamentos extras mais atrelados à sua contribuição individual para o caixa da companhia, com um plano de participação acionária previsto apenas para 2028.
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