Petrobras prioriza África e não avalia entrada na Venezuela agora
A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia dos Anjos, afirmou que a companhia concentra seus estudos em blocos africanos e não analisa, por enquanto, uma oportunidade na Venezuela. A estratégia ganhou força com acordos em Moçambique e novas participações em países do continente.

Divulgação
A Petrobras concentra sua busca por novas oportunidades internacionais na África e não avalia, neste momento, uma entrada na Venezuela. A avaliação foi feita pela diretora de Exploração e Produção da estatal, Sylvia dos Anjos, durante a ROG.e 2026, evento de energia realizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), no Rio de Janeiro.
Ao ser questionada sobre uma possível atuação da companhia na indústria venezuelana, Sylvia foi objetiva: “Olhando não. Eu estou olhando a África”. A declaração indica que o continente africano deve permanecer no centro dos planos de expansão internacional da petroleira.
Estudos avançam em Moçambique
As equipes da Petrobras analisam áreas que a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), estatal de Moçambique, pretende disponibilizar em futuras rodadas. “Estamos estudando todos os blocos que a ENH quer disponibilizar. O meu time está estudando. E aí a gente vê o próximo leilão para a gente estar pronto”, afirmou Sylvia.
Nesta terça-feira (22), a Petrobras assinou com a ENH um memorando de entendimento válido inicialmente por dois anos. O documento prevê cooperação em estudos, avaliação, desenvolvimento e comercialização de petróleo e gás, além da troca de conhecimento técnico entre as empresas.
Retomada da presença africana
A aproximação com Moçambique integra a retomada da Petrobras no continente. A companhia voltou a atuar na África em 2024, começando por São Tomé e Príncipe, onde participa dos blocos 10, 11, 13 e 4. Neste ano, também assumiu a operação do bloco 3, com participação de 75%.
A estatal possui ainda 10% de um bloco na Bacia de Orange, na África do Sul, e assinou contrato para adquirir 42,5% de uma área na Namíbia. Na Costa do Marfim, firmou contratos de partilha para oito blocos offshore, nos quais terá 90% de participação e atuará como operadora ao lado da estatal Petroci.
Conhecimento geológico favorece a estratégia
A Petrobras considera que parte das bacias africanas apresenta rochas e estruturas semelhantes às encontradas no Brasil. A Bacia de Lüderitz, na Namíbia, é apontada como margem conjugada da Bacia de Pelotas, no Sul do Brasil e no Uruguai. Ambas se formaram durante a separação da América do Sul e da África, no antigo supercontinente Gondwana.
Essa semelhança permite aplicar nas áreas africanas o conhecimento acumulado pela companhia em décadas de exploração no pré-sal e em outras bacias brasileiras. A mesma lógica foi usada na análise dos blocos da Costa do Marfim, que também apresentam características geológicas comparáveis às de regiões produtoras do Brasil.
Venezuela fica em segundo plano
A Venezuela passou a despertar interesse de grandes petroleiras após a captura do então presidente Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, em janeiro. O governo norte-americano incentivou novos investimentos no setor, enquanto Chevron e Eni ampliaram atividades e a ExxonMobil negociou seu retorno ao país.
Apesar da movimentação das concorrentes, a Petrobras mantém a África como prioridade. A estatal não anunciou negociações, candidaturas ou cronograma para atuar na Venezuela. O foco atual está na avaliação técnica de blocos, na formação de parcerias e na consolidação de uma carteira capaz de transformar sua experiência geológica em novas oportunidades de produção.
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