Mercado passa a precificar mais um corte na Selic em 2026
Participantes do mercado financeiro passaram a estimar queda da Selic de 13,75% para 13,50% em 2026. Especialistas alertam, porém, que riscos fiscais, inflação resistente e juros longos elevados podem limitar a redução do custo do crédito.

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O mercado financeiro passou a precificar mais um corte da Selic em 2026. A taxa básica de juros, hoje em 13,75% ao ano, é projetada agora em 13,50% ao ano para o fim do próximo exercício. A mudança indica expectativa de continuidade do ciclo de afrouxamento monetário, embora em ritmo cauteloso.
Atividade mais fraca sustenta expectativa de queda
A revisão ocorreu em um cenário de desaceleração econômica. O Boletim Focus reduziu a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto para 1,88% em 2026, ante 1,89% anteriormente. Para 2027, a projeção caiu de 1,45% para 1,43%.
André Matos, CEO da MA7 Capital, avalia que a mudança não decorre de uma melhora consistente no quadro inflacionário, mas da perda de força da atividade econômica. Para ele, o mercado começa a reconhecer que a economia pode demandar juros menores, mesmo sem uma convergência mais confortável da inflação.
Selic não chega sozinha ao crédito
A possível redução da taxa básica, no entanto, não garante alívio proporcional para empresas e consumidores. Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra, destaca que o custo final do dinheiro também depende da curva de juros futuros, do câmbio e do prêmio de risco cobrado pelos investidores. Em um ambiente de incertezas, a Selic pode cair sem que o custo de capital acompanhe o mesmo ritmo.
Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco, lembra que a taxa básica é apenas um dos componentes das operações de crédito. Condições de captação dos bancos, risco de inadimplência, garantias oferecidas e prazo do financiamento também influenciam diretamente os juros cobrados no mercado.
Risco fiscal limita efeito dos juros
A persistência de dúvidas sobre as contas públicas pode manter pressionada a parte mais longa da curva. Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, aponta que crescimento fraco, inflação resistente e dívida pública elevada tendem a aumentar o prêmio exigido pelos investidores. Uma nova desvalorização do real também poderia reacender pressões sobre os preços e restringir o espaço para cortes.
Gustavo Assis, CEO da Asset, reforça que financiamentos de longo prazo podem permanecer caros se a trajetória da dívida continuar preocupando o mercado. Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, observa que incertezas fiscais favorecem aplicações mais curtas e dificultam o financiamento de projetos que dependem de capital paciente.
O quadro macroeconômico também exige atenção à produtividade, à infraestrutura e à segurança regulatória. Antônio Patrus, CEO da Bossa Invest, relaciona esses fatores à projeção de crescimento de apenas 1,43% para 2027. Enquanto isso, empresas buscam melhorar a gestão de pagamentos, recebimentos e crédito para enfrentar um ambiente no qual os juros devem cair, mas ainda permanecerão elevados.
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