Ponte Rio-Niterói reúne condições para testar radar de velocidade média
A ponte foi escolhida para uma experiência de 180 dias com radares de velocidade média. Extensão, fluxo intenso e ausência de saídas no trecho permitem avaliar a tecnologia com maior controle.

Divulgação
A Ponte Rio-Niterói será um dos cenários de teste dos novos radares de velocidade média no Brasil. O projeto-piloto deve acompanhar um trecho de 9,02 km da BR-101, no sentido Rio de Janeiro, entre os quilômetros 323,700 e 332,720, onde o limite é de 80 km/h. A experiência, autorizada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres, também está prevista para outros pontos de oito estados.
Percurso longo e sem saídas favorece a medição
A principal vantagem da ponte é permitir o controle quase integral do trajeto. Em rodovias convencionais, veículos podem entrar ou sair entre duas câmeras, parar em postos ou utilizar retornos, situações que dificultam o cálculo. Na Rio-Niterói, depois de passar pelo primeiro ponto de monitoramento, o motorista precisa seguir até a outra extremidade, o que reduz interferências externas.
Com 13,29 km de extensão, sendo 8,83 km sobre a Baía de Guanabara, a ponte oferece um percurso longo e predominantemente contínuo. Não há cruzamentos, semáforos ou rotatórias no segmento escolhido. A estrutura também já conta com infraestrutura de monitoramento e operação permanente, fatores que podem facilitar a instalação e a avaliação dos equipamentos.
Alto fluxo permite coletar dados rapidamente
Cerca de 150 mil veículos cruzam a ponte em dias normais. Esse volume possibilita reunir, em pouco tempo, registros de carros, motos, ônibus e caminhões em diferentes horários e condições de tráfego. O teste também poderá verificar se as câmeras reconhecem corretamente as placas e calculam os tempos de percurso em uma operação de larga escala.
Sistema combate o chamado efeito canguru
O radar tradicional mede a velocidade em um ponto específico. Por isso, alguns motoristas reduzem ao passar pela câmera, aceleram no restante do trecho e freiam novamente diante do equipamento seguinte. Esse comportamento, conhecido como efeito canguru, é o principal alvo da fiscalização por velocidade média.
No novo sistema, a primeira câmera registra a placa e o horário de entrada do veículo. A segunda identifica o mesmo automóvel na saída. Com base na distância e no tempo gasto, o software calcula a média. Para percorrer 9,02 km a 80 km/h, são necessários aproximadamente 6 minutos e 46 segundos. Se o trajeto for concluído em cinco minutos, a média será superior a 108 km/h.
Geometria da ponte ajuda no teste
Embora apresente elevação em direção ao vão central, que fica a 72 metros de altura, a ponte mantém uma geometria predominantemente reta. Um estudo técnico da Polícia Rodoviária Federal classificou como plano e em tangente o ponto do quilômetro 323,700, sem curva no local da medição. Essas características ajudam a limitar variações que poderiam comprometer a leitura.
Tecnologia não depende de inteligência artificial
O radar de velocidade média é diferente das câmeras com inteligência artificial que analisam imagens internas dos veículos para identificar uso de celular ou ausência de cinto. No sistema de velocidade média, não é necessário interpretar o comportamento do motorista. Basta reconhecer a placa, registrar horários precisos e calcular a relação entre distância e tempo.
A experiência terá duração inicial de 180 dias e não deverá gerar multas durante o período de testes. Antes de qualquer aplicação em caráter definitivo, será necessário definir sinalização, certificação dos equipamentos, margens de tolerância e regras para apresentação das imagens e dos dados usados no cálculo. O resultado poderá indicar se a tecnologia oferece precisão suficiente para ser ampliada a outras rodovias.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








