Uruguai libera para o Brasil parte de sua cota de carne bovina para a China
Lula anunciou que o Uruguai autorizou o Brasil a utilizar parte do volume não ocupado de sua cota chinesa de carne bovina em 2026. A medida ainda depende de confirmação de Pequim e pode ter efeitos mais relevantes em 2027.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o Uruguai autorizou o Brasil a utilizar parte do volume não ocupado de sua cota de exportação de carne bovina para a China em 2026. A informação foi dada após encontro com o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, em Nova York, onde os dois participam da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas.
Autorização ainda depende da China
Apesar do anúncio, a redistribuição do volume ainda precisa ser confirmada pelas autoridades chinesas. A China administra as cotas e pode considerar o excedente intransferível entre países fornecedores. Ministérios brasileiros não detalharam como a operação seria implementada nem apresentaram confirmação formal de Pequim.
A cota uruguaia para exportações de carne bovina ao mercado chinês sem tarifa adicional é de 324 mil toneladas em 2026. Estimativas indicam que cerca de 80 mil toneladas poderiam ser destinadas ao Brasil, volume equivalente a aproximadamente um mês dos embarques brasileiros. O Uruguai, contudo, ainda possui capacidade para vender mais de 200 mil toneladas até o fim do ano.
Medida pode ter efeito limitado em 2026
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) avaliou que qualquer ampliação do acesso à China é positiva, mas destacou que o impacto neste ano tende a ser restrito. Negociações, preparação dos embarques e transporte até os portos chineses exigem tempo, especialmente com o calendário comercial já avançado.
Para 2027, a possível utilização da cota uruguaia pode ganhar importância. A expectativa do setor é que a cota brasileira, superior a 1,1 milhão de toneladas, seja atingida nos primeiros meses do ano se o ritmo atual de vendas for mantido. A indústria defende mecanismos que distribuam melhor os embarques e ofereçam previsibilidade ao principal destino da carne bovina brasileira.
Brasil já ultrapassou cota anual
Levantamentos do mercado indicam que os embarques brasileiros chegaram a 1,144 milhão de toneladas nos portos chineses até agosto, acima da cota estabelecida para 2026. O avanço reforça a pressão por alternativas, mas especialistas lembram que o acordo com o Uruguai só poderá alterar o fluxo comercial após autorização chinesa.
A China já havia negado no início do ano um pedido brasileiro para redistribuir cotas não utilizadas por outros fornecedores. Por isso, a liberação anunciada por Lula representa uma possibilidade comercial relevante, mas ainda não muda a dinâmica das exportações. O aval de Pequim continua sendo o ponto decisivo para transformar a intenção bilateral em novo volume disponível ao frigorífico brasileiro.
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